17 de mai. de 2009

a volta

Fui deitar ontem sem sono e reli minha agenda da oitava série. Oitava série é demais! É o começo da vida, quando as coisas começam a acontecer e dá pra sentir o gosto do que vai vir pela frente.
Mas como eu era boba! Como nós éramos bobas. Até hoje eu não sei como tanta coisa foi possível com gente tão boba. Não que eu não seja mais, porque ainda sou, mas três anos acrescentam alguma coisa, nem que seja eu mesma me dizendo que eu continuo uma boba e que não tenho mais idade pra isso.
Mas eu preferia a bobeira daquele tempo. Porque pelo menos lá atrás, bem no fundo, eu tinha, firme e forte, a sensação - não, a certeza, mesmo - de que as coisas iam dar certo depois, mais tarde, mesmo que fosse demorar um pouco. E era verdade, veja só. Elas deram. Claro que dependendo do ponto de vista, mas deram. Meus dois últimos anos no colégio foram ótimos. Meu primeiro ano fora do colégio tá ótimo também. E esse é o ponto. Já deu certo. *Tudo que tinha que dar certo, ora, deu certo. Agora só tem o que dar errado. Agora é a volta.
Eu sou o otimismo em pessoa.
Mas já dizíamos nós mesmas na oitava série: até seria trágico, se não fosse (tão) cômico. Alguma coisa a gente sabia.

*Tá, quase tudo. Mas mesmo o que deu errado parece bom.

16 de mai. de 2009

Objeto antes do centro de curvatura. Objeto sobre o centro de curvatura. Objeto entre o centro e o foco. Objeto sobre o foco. Objeto entre o foco e o vértice.
Conclusões: 
Saudades do Jean.
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And then dance if you want to dance
Please brother take a chance
You know they're gonna go
Which way they wanna go

Foi bom mesmo de longe. Até o cd novo já parece mais simpático.

5 de mai. de 2009

achei bonitinho

O que é isso que eu sinto, senão a vontade de ter o que eu não tenho.
O que é isso aqui dentro, senão o desejo - tão humano e tão bobo - de amar e ser amado.

Achei bonitinho.

interessante, né?

Eu deveria começar a escrever sobre os taxistas que eu encontro, que me perguntam se eu quero virar freira porque moro num pensionato de freiras ou têm um bigode enorme e costeletas, junto com óculos escuros - esse umas três vezes, já. Ou sobre os tipos que sentam do meu lado nos ônibus Canela-Porto Alegre, já que não escrevo sobre mais nada. Mas não é mentira que eles dão o que comentar. Eles, mesmo, porque normalmente são homens - até hoje só duas mulheres, que eu lembre.
O melhor de ônibus é poder conversar com as pessoas sem precisar saber o nome. Eu adoro essas coisas.
O último notável foi um homem igual a um ator meio desconhecido, cujo nome eu não lembro, mas que já fez o papel de um médico em uma novela da Globo, cujo nome eu também não lembro. O cara era alto, tava todo de preto - com exceção de qualquer coisa bege que ele usava embaixo da jaqueta - e tinha uma voz... Demais. Grossa, mas deliciosa de ouvir. E conversava um monte - perguntava um monte. De turismo a escolas, passando até pela febre amarela. Mas o legal mesmo foi o final. Quase na rodoviária, olhando pro polegar, ele termina com essa: "Que coisa a impressão digital, ? Não tem nenhuma igual à minha. Nem igual à tua. Somos mais de seis bilhões e são todas diferentes. Interessante, ?"
-
No último ônibus que eu peguei, indo daqui pra lá, eu cedi meu lugar, na janela, pra namorada/amiga do cara do meu lado. Eles compraram duas das últimas passagens, e a poltrona dela era logo no banco da frente, mas no corredor. A verdade é que esse negócio de janela e corredor nunca fez diferença pra mim. Não quando eu já conheço o que eu posso ver pela janela. Então eu troquei. Porque tá aí uma qualidade que eu tento sempre manter e que é uma das que eu mais admiro nas pessoas: gentileza. Nunca vai custar nada e ainda vai dar uma das melhores sensações do mundo, mesmo que não se faça porcaria nenhuma, só se troque de lugar no ônibus.

4 de mai. de 2009

milhões de vasos sem nenhuma flor

Essa música - Relicário - ressurgiu de repente de algum lugar da minha memória e eu me obriguei a encontrá-la por aqui - lá, na verdade - de novo. E, prestando atenção na letra, eu me dei conta de que tudo, ultimamente, tem me dito a mesma coisa. Vide o perfil de um colega, onde chegou a saltar, no final do texto, assim que a página abriu, um "prove que você está vivo". Mas eu não vou 'sair do meu apartamento e procurar alguém do sexo oposto' e não vou 'pedir demissão' nem 'começar a brigar', entre outras coisas, como foi sugerido lá. Eu acho que eu não sei 'me fazer valer pelo meu lado humano'. Ou provar que estou viva.
Mais um vaso sem flor.

29 de abr. de 2009

if I lived till I was 102

I just don't think I'll ever get over you

A minha vida muda e muda, mas, no fim, tá sempre igual. Porque, por mais que eu tente e queira, eu não consigo me mudar. Não em tudo. Não no que eu queria.
Eu confesso que agora eu não consigo organizar direito tudo que eu ando pensando, pra escrever qualquer coisa mais ou menos decente, com algum nexo, mas já não sei se isso importa muito - acho que não.
E eu cansada. Cansaço pra mim resume tudo, ?

28 de abr. de 2009

Cara, eu vejo esses meus colegas novos e depois não paro de pensar neles. Mas não é sequer nada importante. São coisas que não são nem pequenas; são nada, mesmo. Uns gestos quaisquer, uma expressão qualquer, a voz, o jeito - de quem não precisa, de quem precisa ou de quem não precisa nem precisa, só está ali.

Não sei mais o que eu tinha escrito aqui.

Mas, resumindo, eu só vejo uma coisa escancarada naquela sala (ou naquela turma, já que a sala muda todo dia): não sei se todos, talvez seja até a minoria, mas tem gente que tem a melhor coisa do mundo, que também é tudo o que eu queria na vida, e não sabe.
Ou parece não saber.
E, na verdade, talvez não seja sequer a minoria, mas uma pessoa só.
E também é verdade que não é "tudo o que eu queria na vida", porque eu não sou uma pessoa em condições de saber o que quer (e, de qualquer jeito, com a vida do jeito que tá, e a crise, e a gripe suína...), mas é tudo que eu já quis ou que eu já achei que quis ou enfim.

25 de abr. de 2009

mais um que vai ficar.

Que diabo de ano é esse em que as coisas estão tão... assim? E mais uma: por que, quando um lado se ajeita, tem que arrebentar tudo no outro?
Não é mentira que eu me surpreendi - positivamente - com Porto Alegre. Não é mentira que eu aprendi a gostar de lá. E não é mentira que, quando eu estou aqui, às vezes me dá até vontade de voltar. Porque lá as coisas, mesmo que sejam poucas, acontecem comigo. Porque lá eu tenho uma vida que eu nunca tive aqui.
E ponto. É só isso. 
Onde estão minhas amigas? Que fim a gente levou? E por que cargas d'água eu fujo ou complico tudo, conscientemente, mesmo quando não é isso que eu quero? Eu tinha que fazer psicologia.
Aí eu vou lá e fico procurando hipóteses, justificativas para as coisas. Eu sempre faço isso. Com o que eu faço com os outros e com o que os outros fazem comigo. "Ia acabar assim de qualquer jeito", "não é culpa minha se...", talvez isso, talvez aquilo. Como se isso pudesse mesmo justificar o que eu faço - ou o que os outros fazem.  Na hora, pode até parecer que funciona, mas não é verdade.
Depois, eu volto a pensar em Porto Alegre, no pessoal do cursinho e tal. A maioria é gente fina. E tem aquela praça ali na frente, e aqueles prédios todos, e vento, e, ah. Falsos curativos, .
Porque logo vem o fim do ano e tudo aquilo de novo. Eu fico só pensando - tentando pensar - no que vai ser a minha vida depois, independentemente do curso que eu for fazer. 
Tragicômica, hah.
Mas por ora... Bom, por ora qualquer apartamento tá me comprando.