31 de out de 2010

the flu - de novo!

Tinha passado, a gripe. Mas voltou. Na câmara fria onde eu passei meu domingo recebendo os eleitores que desistiram de viajar pra votar no Serra - que ganhou quase o triplo de votos da Dilma na urna da minha seção. Um dia quente e lindo na rua - mamãe tomando banho de sol com as amigas de tarde! - e eu cheia de casacos tremendo de frio na câmara. Mas eu não me importaria, se eu não fosse secretária. Nenhuma pessoa, de bem ou de mal, merece ser secretária. Não sem uma cadeira.
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Teve uma senhora, que a gente logo reconheceu quando chegou, porque era a que precisava de ajuda na urna, que, depois de votar e assinar, passou em um por um de nós entregando uma balinha de caramelo de presente, sempre sorrindo, bem feliz. Coisa mais linda. :~
Eu fico pensando em por que só idosos são assim, lindos.
Quem mais daria balas pra mesários? Quem mais sairia de casa no domingo pra votar sem ser obrigado - e ainda levando balas pros mesários? Quem mais pra viver feliz e bem-humorado mesmo com dificuldade até pra andar?
Enfim.
Eu não lembro o nome dela, mas a velhinha fez doce o domingo. Nos dois sentidos.

24 de out de 2010

the flu II

It seems to me now that the plain state of being human is dramatic enough for anyone; you don't need to be a heroin addict or a performance poet to experience extremity. You just have to love someone.


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Eu queria uma música triste, agora. E não estou obtendo muito sucesso na busca. Embora eu também não esteja exatamente me esforçando na mesma busca.

O caso é que, ah. Muita coisa. Eu penso demais em coisas que eu até gosto de saber que pensei, mas peco na hora de escrever sobre. As frases nunca ficariam com a mesma sonoridade que tinham na minha cabeça, mesmo que eu as transcreva exatamente da mesma forma que as pensei, simplesmente porque vão estar escritas. E a sonoridade da leitura é diferente. É pontuada demais, mesmo com pouca pontuação. Eu não sei pontuar minhas frases pra que elas soem, mentalmente, pra quem ler (e pra mim também, quando eu ler), do mesmo jeito que soam só na minha cabeça. E os próprios assuntos. Pensando neles no meu blog eles subitamente perdem valor.

Eu queria só ir escrevendo, escrevendo, e no final sair alguma coisa ao menos legível. Mas é o tipo de coisa que não acontece comigo. Acho que eu sou detalhista demais pra isso.

Eu queria ter um caderno, um bloco, uma agenda, qualquer coisa, em que eu anotasse essas coisas; frases, de livros, filmes, revistas, panfletos, enfim. Mas, mesmo que eu saiba que é só achar um caderno velho e começar a anotar, sempre me parece o tipo de coisa que existe "desde sempre" e não desde um dia qualquer em que se decida começar um. De forma que não vai acontecer.

23 de out de 2010

the flu

fabicofantasia serviu pra duas coisas: pra eu ver o quanto precisava beber e pra constatar o meu talento natural de sair em fotos que inexplicavelmente deixam de existir quando todo mundo começa a mostrar as suas - ou, em outras palavras, não sair em nenhuma -, mas eu não chego a me importar. Só não recomendaria viajar duas horas de ônibus no dia seguinte, hah.
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Peguei de uma vez só todas as gripes que eu não tive nos anos anteriores. É ótimo.
Mas eu queria conservar minha voz rouca. Todos sairiam ganhando.
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Eu não consigo dizer o quão ruim a vida pode ser, às vezes. Eu sei perfeitamente o quão ingrata e insatisfeita e ao mesmo tempo acomodada eu posso ser, mas a vida. Me ganha. A minha vida. As semanas que eu vou empurrando fingindo que tá tudo bem.Que tudo vai ficar bem. Tudo pra esconder o fato de que eu não faço a menor idéia do que fazer. Comigo. Com a minha vida. A sensação que eu tenho é de que eu vou passar os próximos dez anos pelo menos dando voltas ao redor disso, "a minha vida", na tentativa de tentar achar alguma ou descobrir qual e o que ela é, porque eu não sei.
As pessoas e os lugares de que eu gosto de algum modo nunca saem de mim. E às vezes de um modo sufocante. Mas encontrar novos parece tão difícil. E inútil. 
E eu vou só ficando mais cansada. 
E aí eu leio e vejo uns filmes, na tentativa de escapar. 
Ou passo a semana em Canela longe. "Longe."
Mas até quando?




i'd like to make myself believe
that planet earth turns slowly
it's hard to say that i'd rather stay awake
when i'm asleep
cause everything is never as it seems

leave my door open just a crack
please take me away from here
cause i feel like such an insomniac
please take me away from here
why do i tire of counting sheep
please take me away from here
when i'm far too tired to fall asleep

to ten-million fireflies
i'm weird cause i hate goodbyes
i got misty eyes
as they said farewell

14 de out de 2010

eu sou doente

por não conseguir escrever no word se a letra não for times? Porque eu não consigo.
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Toda a parte do dia que eu passei no computador passei com a mesma música. Vim determinada (sério) a começar a adiantar uns trabalhos, mas por algum motivo - a música, o fato de minha mãe estar passando a semana comigo, má vontade com a professora, alguma coisa - não rolou. Eu sou um tipinho muito ruim. Tipo gente que deixa a dor de cabeça ficar insuportavelmente forte, sofrendo, esperando que passe, pra só então tomar um remédio. E o troço não fazer efeito.
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Fiquei com vontade de perguntar pro cara hoje, o André Machado, se ele também acha que pra ser bom jornalista 'é preciso amar a profissão', blábláblá. Mas desisti, muito embora não devesse tê-lo feito. O caso é que às vezes eu duvido completamente da minha capacidade ser boa jornalista, às vezes nem tanto. Mas eu (ainda) não duvido da capacidade de um ser humano de ser bom em alguma coisa simplesmente porque ele decidiu ser - sem necessariamente amar ou desejar arduamente aquilo. Talvez eu esteja errada. Talvez não. Mas agora eu tenho minha própria vida pela frente pra descobrir, so. Depois eu conto.

11 de out de 2010

Abrir livro embalado em papel pardo está entre as melhores coisas do mundo.

5 de out de 2010

I don't know, but it's so painful to think, and tell me, what did thinking ever do for me, to what great place did thinking ever bring me?
Né.
(Eu preciso ler. Meus livros.)

4 de out de 2010

tanta coisa.

Meus dias em Canela se resumem ao que eu não tenho em Porto Alegre: sky. E sexta eu vi o filme mais... gostoso de todos os vistos nesses dias. Away we go. (Com o tal John Krasinski, que me deixou o filme inteiro tentando descobrir onde eu já tinha visto o sobrenome dele. Tudo pra lembrar que era do jogador de vôlei da Bulgária, que nem Krasinski é, é Kasinski). Nada de mais, um casal que vai ter um filho e viaja atrás de uma cidade pra morar com ele, quando ele nascer. Mas é... o que eu disse, gostoso. Só. Mas eu vejo um filme assim e me pego querendo que isso possa existir de verdade. Não comigo. Só que possa existir. Que não seja só ficção. Cinema tem disso também, né. Tanta coisa.
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Mas isso quando não me chamam pra passar o dia parada de pé numa seção eleitoral. O que eu descobri lá é que o trabalho dos mesários, que podem ficar sentados, se não for menos cansativo, pelo menos é menos monótono e mais divertido que o de secretário, que fica lá, de pé, o dia todo, deixando as pessoas passarem ou não, "pode passar", "espera um pouquinho", "qual a tua seção?" (e depois também preenche a ata, pra não dizer que só ficou parado na porta). Mas, por pior que seja e por incrível que pareça, tem alguma coisa em mim que gosta disso, de ver gente, de "trabalhar" com gente, mesmo que eu não goste de gente. No fim, ganhei vinte reais em vale refeição que pagaram minha janta com coisinhas gostosas da Gisele. Foi o melhor.
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Cheguei em Porto Alegre e, depois de nove meses, tenho luz em todos os espaços onde é possível ter luz. Inclusive na cozinha, que tava desde agosto, no mínimo, com as lâmpadas queimadas. O caso é que eu me acostumei tanto com a meia luz a essa altura que não sei se quero todas essas lâmpadas acesas agora. Ganhei até umas velinhas de presente. Dão outro ar pro lugar. Mas é só conforto estético e aparente. E aí?