31 de out de 2009

runaround

Como é que eu vou escrever sobre corrupção, contra corrupção, se eu mesma sou corrupta? Quer dizer, além de corrupta, eu também tenho que ser hipócrita.
Me apaixonei por aquela música da novela, a versão da Tânia Mara - é - de Gostava Tanto de Você, ou seja lá qual for o nome. É tão bonita.
Nunca é tarde pra gostar de professor. Vou levar uma maçã pra ele.
Tu começa a te sentir porto-alegrense quando sabe dar informações na cidade, sabe quais ruas sobem e quais descem e se sente bem no meio da confusão. Mas, principalmente, tu começa a te sentir porto-alegrense quando volta pra Canela e não gosta. (Mas a verdade é que eu tampouco gosto quando volto pra lá, então eu tô como no(s) poema(s) do Fernando Pessoa, leitura(s) obrigatória(s) de que eu já nem lembro mais o(s) nome(s).)
Cabeleireiro gay é ótimo: "Tu estuda, te forma, faz o que tu quer fazer, namooora, mas não casa! É, pra quê? Ficar atrás desses aí... Não, não." Altos conselhos.
Eu gosto dos jacarandás do Bom Fim. Eu gosto das calçadas cobertas pelas flores que caem deles.
Vou lá ver meu documentário do Jango.

tanto.

Eu tava com tanto sono ontem que acabei dormindo no ônibus. E, quando acordei, já em Igrejinha, eu não pude deixar de pensar em como seria bom se ele tivesse ali. Pra conversar. Casos, besteiras. Porque às vezes não há nada que faça mais bem. Porque na maioria das vezes não há do que a gente precise mais. Mas é claro que o lugar do meu lado tava vazio, ainda que o ônibus tenha voltado cheio. Esse mouse tá uma droga. E eu queria escrever o que eu senti/pensei/sinto/penso. Mas eu não tenho mais veia pra isso. Sé é que algum dia já tive. Não. A única alternativa que eu sei que daria certo é outra história escrachada e deprimente e autobiográfica com uma mosca - mas mesmo isso eu não me dou o trabalho de tentar começar. Menos por achar que não valeria a pena do que por achar imbecil. Ê, vida. Vida que eu resolvi aposentar até fevereiro, pelo menos, diga-se. E essa sim por não valer a pena. Quando eu cheguei em casa, ele me mostrou a reportagem da luminária no site da Globo. E é difícil dizer o quanto eu fiquei emocionada ou feliz ou orgulhosa ou as três coisas juntas. É demais pra quem agüenta pouco. Sempre assim. Esse computador inteiro tá uma droga. E a internet também.

30 de out de 2009

a toast to wasted lives

Meu calendário novembro-janeiro é incrível. As pessoas devem sentir pena delas mesmas ao olhar aquela folha e enxergar um rol de provas e aulas e só dois feriados. O lado positivo, porque sempre é preciso inventar encontrar um, é que, se eu ainda estiver viva no dia 13, não vou ter ânimo nem pra ficar mal.

26 de out de 2009

"grêmio 1 x 0 internacional"

O taxista: Ah, jornalismo. Mas por que jornalismo? Tu gosta de...
- Eu não gosto do resto.

(E ele achou que eu tivesse 17, quando eu tô a dois meses de 19. Eu não sei que raio de cara de criança é essa que eu tenho/que os outros vêem.)

*

Mudei os móveis de lugar e montei - mentalmente, é claro - um (novo) cronograma para as próximas semanas. A verdade é que não vai mudar quase nada, porque são só aparências, mas, diante das novas possibilidades, eu acho que não custa tentar. Nem que seja só pra depois eu poder dizer que tentei. O que também é o mínimo de dignidade, né, por favor.
Além disso
Na teoria eu tenho apartamento hoje.
Na prática eu tenho apartamento em dezembro. (:

24 de out de 2009

parêntese. IV

Eu queria conseguir escrever alguma coisa decente, à altura das duas pessoas nas quais eu estou pensando agora. Tá faltando. Talvez não como posts, mas tá faltando pra mim. 
E eu acho engraçado isso que acontece. Porque possivelmente são as duas pessoas que eu mais quero bem nessa vida - mas é justamente sobre elas que eu não consigo escrever. Nem uma linha.

23 de out de 2009

parêntese. III

1968
Quase-apartamento.
Quatro aulas de história em uma semana. (L)
Filme.
Porto Alegre com noites de praia.

22 de out de 2009

eu fico com a pureza da resposta das crianças

Teve uma reuniãozinha na capela aqui hoje (e eu não consigo deixar de me lembrar do Marista toda vez que eu passo/entro ali, tamanha a semelhança entre as capelas). Uma celebração conjunta dos aniversários, como elas disseram, "para celebrar a vida de cada uma". Eu imaginei que fosse ser qualquer coisa muito parecida com uma missa, porque mesmo antes de descer eu já ouvia elas cantando. E até foi, se a gente excluir o fato de que não houve uma oração sequer. No final, elas colocaram... Eterno Aprendiz?, e nós tiramos fotos.
Eu achei que fosse acabar nisso - e já sairia muito surpreendida -, mas elas nos passaram pra sala do lado. Ali, entregaram uma bandeja de empadinhas pra cada uma (e como são boas!), fora os refrigerantes e a torta enorme em cima da mesa - tudo ainda ao som do Gonzaguinha. Como se isso não bastasse, chamaram cada uma pelo nome e entregaram um presente (um bloco e uma caneta do pensionato) com um cartão.
Eu fico boba com a dedicação e o cuidado dessas mulheres com as gurias e com tudo isso aqui. É uma diligência que eu não me lembro de já ter visto em qualquer outro lugar. Me comove, mesmo.

21 de out de 2009

da minha implicância

(Ou não.)
Entrei pela primeira vez no Goethe ontem. Apesar de ainda ser um lugar que te encolhe, a idéia que eu fazia de lá era bem diferente. Curti. 
Fomos pra ver parte de um documentário sobre o Jango e ouvir o seu Christopher Goulart falar mais qualquer coisa sobre. Tri natural, ele. Nem parece neto de quem quer que seja.
A professora que organizou, em compensação, antipática e convencida. Ela bem que engana, com aquela cordialidade toda pra cima do cara, mas, bom, não. Ainda bem que eu não tenho aula com ela. "Porque eu, como historiadora..." Né.
(Vai ver é o que a outra disse, mesmo. "Ai, elas só gostam de professor homem." Who knows.)
Além disso, só nego do Anglo lá. E eu fiquei imaginando o quanto eu estou ou não melhor do que aquelas gurias exageradas ou do que aqueles piás de camisetas coloridas (demais!). Digo, tirando a aparência e uns poucos detalhes, provavelmente não sobre muita diferença.
Nenhuma.

18 de out de 2009

heaven from hell

Ontem pela manhã, enquanto andava por aí, eu tava pensando em como é uma vergonha ser gaúcha e não saber fazer um chimarrão decente. E aí me dei conta de que não existe chimarrão "pra vender". Porque é uma coisa que as pessoas fazem elas mesmas pra elas mesmas e etc. Sim. Mas se algum maluco conseguisse cuias e bombas descartáveis, ou qualquer coisa nesse sentido, e montasse a barraquinha dele no meio da Redenção, bom, o cara podia fazer dinheiro. Original seria, pelo menos. E eu compraria.
De tarde, depois de pintar as unhas (começo a acreditar que tô ficando boa na brincadeira), eu acabei no shopping gastando o que não devia. Comprei, além de roupa, três livros de História que eu queria poder terminar em menos de uma hora de tanto que gostei. E ainda tem a feira...
Hoje fui andar pelo brique. Além de comprar um brinco e mais umas bobagens (essa cidade vai me levar à falência), descobri um dos melhores sucos de laranja que eu já tomei. Fora os índios tocando ali do lado. Eu gosto.
Meus pais vieram, e era pra nós termos ido visitar um apartamento, mas meu pai só conseguiu marcar pra durante a semana - e lá vou eu de novo. Aí fomos pro Total - almoçar, falar do apartamento, ir ao cinema. E depois eles me deixaram aqui e foram embora. E, putaquepariu, isso é sempre tão triste. É ruim. É muito ruim. De verdade.
Pra fechar, quando eu subi, ouvi a guria do quarto aqui da frente tocando violão. Ela tava tocando e cantarolando Wish You Were Here. 
É uma injustiça desgraçada que um lugar que consiga me agradar tanto quanto Porto Alegre tenha que me deixar tão mal às vezes.

16 de out de 2009

sick

Pra uma amadora, meu arroz não é ruim. Tudo bem que é integral, e não tem como arroz integral ser ruim, mas cozinhar arroz comestível é sempre um progresso.
-
Quem é que gasta 54 reais em uma farmácia, em cinco minutos, atrasado pra aula?
-
Passar o final de semana aqui não me agrada nem um pouco.
-
"O pior é que o cara vai tocando a vida dele e tal, tudo bem, tudo certo - ou a vida vai se tocando sozinha, né -, mas sempre tem meio que um vazio por trás, alguma coisa ali... É ou não é?"

12 de out de 2009

Fragmentos de um Evangelho Apócrifo

[...]
9. Bem-aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
[...]
27. Não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.
[...]
51. Felizes os felizes.


Jorge Luis Borges

11 de out de 2009

!!

Na varanda de casa, na praia, com céu nublado, das três às sete, fazendo a outra metade da prova roubada do enem: um saco.

*

Mais duas palavrinhas novas para a minha vida: cioso e supino.

10 de out de 2009

!

Na varanda de casa, na praia, com céu azul, das duas e meia às seis e meia, fazendo metade da prova roubada do enem: surreal.

*

Duas palavrinhas novas para a minha vida: macarrônico e mapa-do-brasil.

9 de out de 2009

ob

O Marista nunca acertou um professor de história, desde o que eu me lembro. E assim continua, de acordo com as notícias do meu irmão. (Porque nisso até o meu irmão concorda comigo.) Eu saí de lá com um conhecimento pífio nessa área, boa parte por minha conta - pra não dizer que saí sem saber de nada além de Tigre e Eufrates, Eixo e Aliados.

E aí entra a segunda ironia da minha vida esse ano: é justamente história que eu consigo gabaritar nos simulados. Depois das línguas, junto com matemática, é no que eu mais tenho me garantido. (Ou quase.)

Era nisso que eu tava pensando, agora há pouco, quando me veio à cabeça, logicamente, um dos meus professores de história lá do Anglo.

Ele é um desses tipos que fazem a gente sentir uma vontade estranha de ter conhecido a pessoa a vida inteira, porque teria sido ótimo conhecer alguém assim desde sempre. O triste é que, quando uma pessoa dessas aparece, normalmente é passageiro; tu vai ficar só na vontade e na imaginação. Mas eu gosto de saber que pelo menos eu conheci. Porque o cara é fantástico.

8 de out de 2009

o mundo não caiu.

E eu fico aqui me perguntando como diabos umas musiquinhas despretensiosas são capazes de deixar alguém tão feliz.

*

Em português, o louco inventou de fazer ditados. É, tipo primeira série pós-alfabetização. E eu confesso que escrevi rescisão sem s - pra nunca mais esquecer. Mas adorei ver o espanto das pessoas quando descobriram que hortênsia também é com s. Ou quando ouviram idiossincrasia.

6 de out de 2009

under my umbrella ella ella...

Hoje de manhã eu atravessei toda a bendita Redenção - pelo lado ainda, porque por dentro, depois de ontem, não ia rolar - pra ver um apartamento na João Pessoa que eu nem quero. Em compensação, tem outros do lado de cá que eu quero - e eu espero que um deles seja meu até o fim do mês. Na volta, tomei vergonha e comprei um guarda-chuva de verdade. Só não é muito o que eu consideraria bonito... Tipo guarda-chuva de hotel, verde escuro com a borda verde clara. (Pra quem queria um vermelho, não se nota diferença.) Mas, vamos lá, que caia o mundo de novo.
-
Tava fazendo uma conta... Eu tenho exatos oito livros não lidos na minha prateleira (eu amo a minha prateleira) e exatos outros oito que eu quero comprar.
Isso não é nada bom.

5 de out de 2009

raining again

Quando terminou o penúltimo período, mais de metade da minha turma levantou pra ir embora, a fim de tentar escapar da chuva. Em vão; já chovia descomunalmente forte antes de a gente cruzar o portão. Meu guarda-chuva, que já não era lá essas coisas, não agüentou nem meia quadra. Um outro coitado ainda me pediu carona até um pedaço, mas logo ele viu que não ia adiantar lhufas, eu fechei o guarda-chuva e nós dois - e mais praticamente todo mundo na rua - resolvemos nos entregar ao banho de chuva. Porque, bom, não tinha guarda-chuva que adiantasse alguma coisa. Cheguei aqui inteiramente molhada - nem minha escova de cabelo dentro da bolsa escapou -, planejando ir direto tomar banho, mas não tinha luz. Claro. E não tem até agora, diga-se. Estamos todas na completa escuridão - porque até aquelas luzes que ficam carregando, pra serem usadas justamente quando falta, estão apagadas, vai saber por quê. E eu não tenho a menor fé de que essa situação esteja melhor amanhã - o que dizer de ainda hoje.
Foi o que eu disse: as coisas dão errado quando chove.
(Mas banho de chuva é bom.)

4 de out de 2009

Além de um escocês, eu também gosto do John Cusack e do Mark Ruffalo. They're charming.

2 de out de 2009

enquanto lá fora repercutia o cancelamento do enem...

(e, agora, as olimpíadas no Rio)

- O que, tu quer ser escritora?
- Não, nossa! Mas eu quero escrever sempre.
- É mesmo? Olha só... Escrever sobre o quê?
- Ah, sei lá... Sobre pessoas.
- Pode escrever sobre mim, então. Já pensou? Fantástico, né? [risos]

*

Eu sei é que o final de 2009 e o início de 2010 têm tudo pra ser um desastre. Um fracasso, dizendo melhor. E eu não sei pra onde eu vou correr depois: passei toda a viagem pensando nisso.
E não cheguei a grandes conclusões, claro - dormi. Futuro não é bem o meu forte.
Alguns dos meus colegas se impressionam quando eu recebo minhas redações corrigidas. A questão é que uma redação não é lá de muita utilidade se eu não fizer ninguém ler. Uma baita ironia, aliás: pra escrever qualquer coisa em qualquer lugar a última coisa que eu preciso saber, de fato, é escrever.
De repente eu vou lá trabalhar como revisora dos textos do Sant'Ana, mesmo.

Mas eu não abro mão de escrever. E não abro mão de, algum dia, ter um blog só pra isso: pra escrever sobre as pessoas. Porque a história de qualquer desconhecido na rua vale a pena. Eu normalmente não gosto muito das pessoas, é verdade, mas eu juro que tenho paixão por saber a história delas e depois contar.

E uma coisa é certa: apartamento eu vou ter.