31 de dez de 2009

Do verão infernal de Porto Alegre pro verão invernal de Canela.
O problema vai ser voltar.

26 de dez de 2009

natal.

Eu não sei por que eu gosto do Natal. Porque, sendo como eu sou, no mínimo eu teria que ter todos os motivos pra detestar. Mas eu não detesto, eu gosto.
Meus pais não gostam. Acham tudo muito cansativo, "muita mão", ter que se reunir com todo mundo e tal.
Eu não gosto de "todo mundo". Eu gosto de Natal.
Gosto do pinheiro aqui de casa aceso quando as outras luzes estão apagadas. Gosto das decorações, das luzes. Poderia gostar até das músicas, se fosse o caso. It's the most wonderful time of the year...
Quero dizer, todo o resto do ano já é sempre tão ruim, tão pesado, por que diabos eu iria contribuir pra estragar o único dia que não precisa ser nenhuma dessas coisas?
Mas, principalmente, eu gosto do Natal quando isso inclui meu tio dizendo tudo o que eu precisava, e talvez também estivesse querendo, ouvir: "Isso aí, Priscila, viva a sua vida. A sua vida."
Às vezes, parece que ele me conhece melhor do que todo mundo.

20 de dez de 2009

nineteen

Eu fiz 19 e, no entanto, sequer parece que eu já tive 18.
Não parece nada, na verdade.
-
O Johnny tomou banho semana passada. Tava lindo, correndo sem parar ao redor do pátio com o pêlo brilhando no sol. Depois que ele parou, quando eu consegui chegar perto, ele deixou minhas roupas cheias de pêlos e ainda babou nos meus braços. Uma delícia, mas eu não tive como me importar muito. É o cachorro mais doce e brincalhão e apaixonante que eu já tive.
-
I can gather all the news I need on the weather report e lá diz que é pra chover quarta-feira o dia inteiro. Por que diabos é sempre nos dias que eu tenho que ir pra rodoviária? Como se já não tivesse bastado o pandemônio que foi na outra sexta. E na quase véspera de Natal, além de tudo, o que significa que o que já é uma confusão normalmente vai estar ainda pior.

18 de dez de 2009

we're going to a party

It's a birthday party! It's your birthday party! Happy birthday, darling! We love you very, very very...

Não.

Porque o primeiro aniversário em Porto Alegre a gente nunca esquece.
Esquece?

16 de dez de 2009

I got the keys.

Contando os dias pra me esquecer de tudo no meu apartamento, parecer uma princesa, não me importar com o resto do mundo e largar os pés em cima da mesa.


oi, holden.

O ruim de notebook e modem móvel é não ter no que bater quando tudo resolve travar, a internet começa a cair e nada mais funciona.
-
Eu acho que talvez tenha concluído que jornalismo definitivamente não é o que eu quero da vida. Mas eu também acho que prefiro não amadurecer muito essa idéia, porque, nesse caso, eu teria de começar a encarar o fato de que eu realmente não quero nada da vida. E isso não é bom. De modo que eu prefiro ficar com jornalismo. Mesmo sem querer assim, como quem sabe que quer. Até porque o que eu quero de verdade não é uma aspiração possível.
-
A surpresa mais agradável do ano e ainda nem é meu aniversário.

10 de dez de 2009

sweetest silly things

Uma camiseta.
Um óculos de armação preta.
Carinho nos olhos e toda a prontidão do mundo.

eu deveria ter me matriculado em espanhol esse ano.

Eu juro que nem almejava, mas consegui um 25. Tipo prêmio de consolação pra quem passou o ano todo escrevendo redações que chegaram quase, mas não lá. Ou então um jeito silencioso e muito sutil de dizer: "Pronto, tá aí, 25, agora pára!". Parei.
Ou não, claro. Sempre existe essa possibilidade.
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Sonhei essa noite tudo o que dá pra sonhar em uma noite. Só me lembro de uns poucos detalhes de cada um, mas o legal dos meus sonhos é que normalmente eles não são egocêntricos: os outros, ou as quaisquer outras coisas com que eu sonhe, sempre têm um papel mais importante. Eu sou secundária.
O mais inusitado deles - e o único de que eu me lembro na íntegra - foi o do começo de At The Bottom Of Everything. A diferença é que o avião "caiu" no sentido contrário e pousou em outro planeta qualquer, e as pessoas desceram e ficaram lá, felizes, cantando a música.
-
Eu tava lendo uma das minhas revistas propositalmente abandonadas aqui, quando uma das gurias bateu na porta avisando que o telefone - que tocava até segundos atrás - era pra mim. Eu sempre fico pensando o que diabos alguém (quem?) pode querer comigo quando eu não tô esperando.
"Priscila? Acho que o teu avô tá aqui embaixo."
Ah, tá.
Claro que o meu avô, no caso, era o meu pai. O engraçado foi que, na hora em que ela falou, eu ainda fiquei pensando em que avô poderia ser, até me dar conta de que eu não tenho mais avô nenhum vivo. Lapsos momentâneos de memória.
De qualquer jeito, qualquer um dos meus avôs me visitando aqui conseguiria ser uma coisa mais inusitada do que um avião pousando em outro planeta.

9 de dez de 2009

my imagination running away with me.

Não é preciso mais do que aparecer. Ou do que eu descobrir - depois de muito tempo imaginando que "ih, nunca mais". É impressionante como eu consigo deixar as pessoas mais distantes e inatingíveis exercerem influência sobre mim. Ou sobre no que eu vou pensar quando não estiver fazendo nada. E aí eu fico aqui, com a cabeça entre transformações adiabáticas, Smashing Pumpkins e o resto do meu ipod e um jornalista qualquer.
Me diz: pode?
Entre tantos dons possíveis, eu tinha que ficar logo com este, de sempre optar pelo que é inútil e/ou pelo que não presta? Porque, né, Smashing Pumpkins e o jornalista qualquer podem ser muito, muito legais, mas eles não vão me botar pra dentro da ufrgs. Pelo contrário, tão mais perto de fazer eu me atirar pela janela.

6 de dez de 2009

E nem aí.

28 de nov de 2009

sons de porto alegre

Todos os dias, a partir de algo perto das 8 da manhã: gemidos estranhos - prédio ao lado.
Todos os dias, pontualmente às 9 da manhã: batidas e barulho do apartamento em obra - prédio ao lado.
Todos os dias, pontualmente às 10 da noite: uma janela batendo por cerca de cinco minutos - mistério.
Os motoristas não agüentam um minuto sem buzinar.
As pessoas falam mais alto na rua.
As pessoas gritam.
As pessoas não tem paciência.
Talvez isso seja assim em todo lugar - inclusive aqui -, mas é diferente lá.
E eu me lembro d'O Rei Leão: você aprende a gostar.
-
Nada como reencontrar a cerração, depois de três semanas longe. Não é se sentir em casa; é simplesmente estar em casa.

26 de nov de 2009

último romântico

Ele fala com um ímpeto fora do comum, como se dizer aquelas palavras fosse a coisa mais importante do mundo; quase como se a vida dele dependesse disso. E ele dá a impressão de ser incansável, insaciável, como quem acredita que tudo o que diz é pouco, que ainda não é o bastante, que poderia ser mais, não fosse o problema do tempo - da falta dele. É muito bonito. A vontade, a veracidade, quase a voracidade, de quem gosta do que faz e sabe fazer.

23 de nov de 2009

i'm not (t)here.

O problema não é o pensionato. O problema é passar o ano inteiro ouvindo que "daqui a um mês...", e um mês se transformar em um ano, e o ano nunca acabar.

22 de nov de 2009

Para viver é preciso merecer viver. A vida é uma coisa extraordinária, é um dom, e é preciso valorizá-la. É preciso ter um ideal nessa vida para torná-la melhor e para tornar a sociedade melhor. Não basta apenas julgar, ser contra essa mentira da justiça, essa mentira da lei, essa mentira da moral, essa mentira da religião. É preciso construir algo.


Apolônio de Carvalho

headache II

Eu acho, embora eu não suporte muito achar qualquer coisa, que eu sou boba demais. Mas, assim, demais. O suficiente pra não focar no que eu deveria. Pra ficar dividida entre histórias quase fictícias que... Bom, 'quase fictícias' diz tudo. Porque as coisas mais simples do mundo são as mais difíceis, na maioria das vezes.
Estudar, por exemplo.
Quem é que precisa de vida, afinal.

19 de nov de 2009

eu não aprendo.

Vovó tem ligado quase todo dia. Acho que ela pensa que alguma coisa grave pode acontecer comigo, por causa das chuvas e tal, no meu longo trajeto de três quadras até o Anglo. Como se pudesse cair uma árvore ou um raio na minha cabeça. E eu tava achando graça disso agora há pouco, quando pensei que talvez não fosse má idéia. Porque, no fundo, talvez o que eu mais quisesse agora - como se fosse possível - fosse uma desculpa grande o suficiente pra largar tudo de mão e ganhar (perder?) mais um ano.
Eu queria que "jogar tudo pro alto" fosse uma possibilidade real na vida, a qualquer hora, e que não dependesse de coragem. Ou de covardia.

18 de nov de 2009

provas e tempestades

À beira de começar a passar fome por impossibilidade de ir fazer compras. Impossibilidade, mas também preguiça, que eu rapidamente justifico com a necessidade de estudar para as provas do simulado. O caso é que supermercado, depois das primeiras experiências, se torna uma necessidade? enfadonha e nem um pouco atraente. Tanto que eu prefiro me virar com os restos e empurrar o quanto der, faça chuva ou faça sol. Além disso, provas combinam com chuva, não dá nem pra reclamar - embora chuva me deixe consideravelmente mais nervosa do que qualquer prova.
-
Achei o cd do Rafael Greyck e não tenho ouvido outra coisa. Nem quero. Cansei dos gringos.
-
O mais emocionante que eu tenho feito na internet nas últimas semanas é ver quem (quantos, na verdade) visita isso aqui e quando. Eu demorei pra aderir a essas tecnologias e entrar nesse time, mas acho que até vale a pena. Só tenho com o que me admirar. O legal é conseguir saber quem são as pessoas só de ver as cidades, os horários e a freqüência. E ficar imaginando quem são os outros. (Eu gosto mais dessa parte.)

15 de nov de 2009

vote em jesus.

No centro de Capão, um comício religioso. Porque eu não sei que nome dar ao acontecimento e porque seria exatamente isso, se Jesus concorresse às próximas eleições: um louco gritando em cima de um palanque e um bando de gente com faixas, cartazes, adesivos e camisetas onde se lia "Ele pode!".
O negócio intercalava discursos um tanto exaltados com uma daquelas bandas tocando músicas religiosas em versões moderninhas. E as pessoas no chão gritando glórias, aleluias, améns e graças a Deus, dançando e se abraçando - "Abrace o irmão que está do seu lado, agradeça por vocês estarem aqui, porque Ele nos deu a vida". Jesus.
Nós contornamos a quadra da multidão e entramos em um café no meio de uma galeria aberta e levemente escondida. Café Cultura. Em todas as estações servindo com arte. E toda a sutileza do meu pai: "Lugar de magrão!". O dono era igual ao Felipe Camargo, até mais bonito, não fosse o sapato. Simpático, ele nos ofereceu chimarrão enquanto nós esperávamos os cafés. Ao som de Maria Rita, Djavan, Elis e por aí vai, o que fez eu me lembrar de um cd do Rafael Greyck - "Luau" - que o meu pai comprou em Goiânia e que eu quero muito encontrar quando chegar em Canela. Cheio dessas musiquinhas que fazem jus ao nome do cd e que são a melhor coisa de se ouvir.
Na volta, bastaram uns poucos passos pra perceber que o comício continuava. A essa altura, eles agradeciam a Deus por ter segurado a chuva, "Ele está conosco!".
Em uma praça, a poucos metros da gritaria, tinha um cara sentado em um banco fumando um cigarro. Um careca com um moicano ruivo e um colete jeans com um a maiúsculo ocupando metade das costas abaixo de "liberdade". Um pouco atrasado, né, podem pensar. Quiçá nem tanto.
E a nuvem-rolo fajuta não causou mais que um chuvisqueiro, por enquanto.

14 de nov de 2009

final de semana 13 e arroio teixeira

Sexta-feira 13 e chuva: convenhamos, não existia a menor possibilidade de alguma coisa funcionar. Porque nós sabemos que qualquer desgraça, por mais ínfima que seja, nunca vem sozinha.
Mas, ignorando os fatos (a chuva, as nordestinas tagarelando no ônibus, o fone de ouvido estragado, vir pra praia de madrugada, esquecer o secador, esquecer a escova, esquecer tudo), talvez nem tudo esteja perdido.
Pouco antes do meio-dia eu discuti com meu irmão - quando é que eu não discuto com o meu irmão? - e saí pra caminhar. Fim de semana chuvoso/nublado e praia abandonada é um prato cheio pra quem gosta de caminhar sem ver gente. Andei por todos os cantos de Arroio Teixeira. Aqueles lugares a que a gente ia de bicicleta quando era criança achando que tinha ido longe demais mas que na verdade são ali do lado. Fui até a beira da praia: vento quente e uma daquelas nuvens-rolo, como eles chamam - pequena, é verdade, mas ainda assim -, anunciando mais chuva. Sentei em cima de um dos cômoros pra ficar brincando com a areia e olhando o mar e as ondas e um carinha pescando ali perto. E depois voltei pra casa, certificada de que a minha praia continua a mesma.
Eu gosto de Arroio Teixeira por isso: faz 18 anos que eu venho pra cá todos os verões e em finais de semana aleatórios ao longo do ano, e - à exceção das casas novas que surgem e de duas boates estranhas - todo ano tudo sempre continua igual ao anterior e ao anterior e ao anterior. Uma ilha isolada do tempo. A única coisa que não mudou desde que eu nasci.

9 de nov de 2009

oi?

Do final de semana: chuva, faxina e brique. Eu poderia morar em Porto Alegre, afinal.
-
Novembro e dezembro vão ser os meses mais longos e mais curtos da vida. Vão passar rápido, porque vestibular e, embora muita gente já tenha esquecido, enem. Mas vão demorar uma eternidade por causa do apartamento. E aí? Em qual eu me apego?

6 de nov de 2009

a noite feito um viaduto

É engraçado ver todo mundo estudando e querendo a mesma coisa. Todo mundo preocupado com a mesma coisa. O que não é engraçado é a sensação de fazer e fazer - ou, muitas vezes, não fazer tanto assim - e ver o tempo escapando, por mais cedo que se levante de manhã.
Além disso, eu tenho pensado tanto... E eu não sei se isso é o peso de quase um ano aqui me reeducando, por assim dizer, ou se é só porque nós estamos no final do ano mesmo, com as luzes do Natal já dando as caras em praticamente todo lugar. E, bom, pensado em tudo. Um pouco de tudo. Em tudo o que dá pra imaginar pensar. Nas injustiças do mundo, por mais clichê que pareça dizer isso. Em agradecer a um professor ou outro pelas aulas boas que deram. Em doar sangue.
Finais de semana aqui me deixam com saudade de casa. Saudade de casa me deixa melancólica. Melancolia me lembra que eu tenho um blog. E o blog... O blog nada. Estrela fria.

2 de nov de 2009

mortos

Porto Alegre hoje = Blecaute. Podia ficar assim o mês inteiro.

31 de out de 2009

runaround

Como é que eu vou escrever sobre corrupção, contra corrupção, se eu mesma sou corrupta? Quer dizer, além de corrupta, eu também tenho que ser hipócrita.
Me apaixonei por aquela música da novela, a versão da Tânia Mara - é - de Gostava Tanto de Você, ou seja lá qual for o nome. É tão bonita.
Nunca é tarde pra gostar de professor. Vou levar uma maçã pra ele.
Tu começa a te sentir porto-alegrense quando sabe dar informações na cidade, sabe quais ruas sobem e quais descem e se sente bem no meio da confusão. Mas, principalmente, tu começa a te sentir porto-alegrense quando volta pra Canela e não gosta. (Mas a verdade é que eu tampouco gosto quando volto pra lá, então eu tô como no(s) poema(s) do Fernando Pessoa, leitura(s) obrigatória(s) de que eu já nem lembro mais o(s) nome(s).)
Cabeleireiro gay é ótimo: "Tu estuda, te forma, faz o que tu quer fazer, namooora, mas não casa! É, pra quê? Ficar atrás desses aí... Não, não." Altos conselhos.
Eu gosto dos jacarandás do Bom Fim. Eu gosto das calçadas cobertas pelas flores que caem deles.
Vou lá ver meu documentário do Jango.

tanto.

Eu tava com tanto sono ontem que acabei dormindo no ônibus. E, quando acordei, já em Igrejinha, eu não pude deixar de pensar em como seria bom se ele tivesse ali. Pra conversar. Casos, besteiras. Porque às vezes não há nada que faça mais bem. Porque na maioria das vezes não há do que a gente precise mais. Mas é claro que o lugar do meu lado tava vazio, ainda que o ônibus tenha voltado cheio. Esse mouse tá uma droga. E eu queria escrever o que eu senti/pensei/sinto/penso. Mas eu não tenho mais veia pra isso. Sé é que algum dia já tive. Não. A única alternativa que eu sei que daria certo é outra história escrachada e deprimente e autobiográfica com uma mosca - mas mesmo isso eu não me dou o trabalho de tentar começar. Menos por achar que não valeria a pena do que por achar imbecil. Ê, vida. Vida que eu resolvi aposentar até fevereiro, pelo menos, diga-se. E essa sim por não valer a pena. Quando eu cheguei em casa, ele me mostrou a reportagem da luminária no site da Globo. E é difícil dizer o quanto eu fiquei emocionada ou feliz ou orgulhosa ou as três coisas juntas. É demais pra quem agüenta pouco. Sempre assim. Esse computador inteiro tá uma droga. E a internet também.

30 de out de 2009

a toast to wasted lives

Meu calendário novembro-janeiro é incrível. As pessoas devem sentir pena delas mesmas ao olhar aquela folha e enxergar um rol de provas e aulas e só dois feriados. O lado positivo, porque sempre é preciso inventar encontrar um, é que, se eu ainda estiver viva no dia 13, não vou ter ânimo nem pra ficar mal.

26 de out de 2009

"grêmio 1 x 0 internacional"

O taxista: Ah, jornalismo. Mas por que jornalismo? Tu gosta de...
- Eu não gosto do resto.

(E ele achou que eu tivesse 17, quando eu tô a dois meses de 19. Eu não sei que raio de cara de criança é essa que eu tenho/que os outros vêem.)

*

Mudei os móveis de lugar e montei - mentalmente, é claro - um (novo) cronograma para as próximas semanas. A verdade é que não vai mudar quase nada, porque são só aparências, mas, diante das novas possibilidades, eu acho que não custa tentar. Nem que seja só pra depois eu poder dizer que tentei. O que também é o mínimo de dignidade, né, por favor.
Além disso
Na teoria eu tenho apartamento hoje.
Na prática eu tenho apartamento em dezembro. (:

24 de out de 2009

parêntese. IV

Eu queria conseguir escrever alguma coisa decente, à altura das duas pessoas nas quais eu estou pensando agora. Tá faltando. Talvez não como posts, mas tá faltando pra mim. 
E eu acho engraçado isso que acontece. Porque possivelmente são as duas pessoas que eu mais quero bem nessa vida - mas é justamente sobre elas que eu não consigo escrever. Nem uma linha.

23 de out de 2009

parêntese. III

1968
Quase-apartamento.
Quatro aulas de história em uma semana. (L)
Filme.
Porto Alegre com noites de praia.

22 de out de 2009

eu fico com a pureza da resposta das crianças

Teve uma reuniãozinha na capela aqui hoje (e eu não consigo deixar de me lembrar do Marista toda vez que eu passo/entro ali, tamanha a semelhança entre as capelas). Uma celebração conjunta dos aniversários, como elas disseram, "para celebrar a vida de cada uma". Eu imaginei que fosse ser qualquer coisa muito parecida com uma missa, porque mesmo antes de descer eu já ouvia elas cantando. E até foi, se a gente excluir o fato de que não houve uma oração sequer. No final, elas colocaram... Eterno Aprendiz?, e nós tiramos fotos.
Eu achei que fosse acabar nisso - e já sairia muito surpreendida -, mas elas nos passaram pra sala do lado. Ali, entregaram uma bandeja de empadinhas pra cada uma (e como são boas!), fora os refrigerantes e a torta enorme em cima da mesa - tudo ainda ao som do Gonzaguinha. Como se isso não bastasse, chamaram cada uma pelo nome e entregaram um presente (um bloco e uma caneta do pensionato) com um cartão.
Eu fico boba com a dedicação e o cuidado dessas mulheres com as gurias e com tudo isso aqui. É uma diligência que eu não me lembro de já ter visto em qualquer outro lugar. Me comove, mesmo.

21 de out de 2009

da minha implicância

(Ou não.)
Entrei pela primeira vez no Goethe ontem. Apesar de ainda ser um lugar que te encolhe, a idéia que eu fazia de lá era bem diferente. Curti. 
Fomos pra ver parte de um documentário sobre o Jango e ouvir o seu Christopher Goulart falar mais qualquer coisa sobre. Tri natural, ele. Nem parece neto de quem quer que seja.
A professora que organizou, em compensação, antipática e convencida. Ela bem que engana, com aquela cordialidade toda pra cima do cara, mas, bom, não. Ainda bem que eu não tenho aula com ela. "Porque eu, como historiadora..." Né.
(Vai ver é o que a outra disse, mesmo. "Ai, elas só gostam de professor homem." Who knows.)
Além disso, só nego do Anglo lá. E eu fiquei imaginando o quanto eu estou ou não melhor do que aquelas gurias exageradas ou do que aqueles piás de camisetas coloridas (demais!). Digo, tirando a aparência e uns poucos detalhes, provavelmente não sobre muita diferença.
Nenhuma.

18 de out de 2009

heaven from hell

Ontem pela manhã, enquanto andava por aí, eu tava pensando em como é uma vergonha ser gaúcha e não saber fazer um chimarrão decente. E aí me dei conta de que não existe chimarrão "pra vender". Porque é uma coisa que as pessoas fazem elas mesmas pra elas mesmas e etc. Sim. Mas se algum maluco conseguisse cuias e bombas descartáveis, ou qualquer coisa nesse sentido, e montasse a barraquinha dele no meio da Redenção, bom, o cara podia fazer dinheiro. Original seria, pelo menos. E eu compraria.
De tarde, depois de pintar as unhas (começo a acreditar que tô ficando boa na brincadeira), eu acabei no shopping gastando o que não devia. Comprei, além de roupa, três livros de História que eu queria poder terminar em menos de uma hora de tanto que gostei. E ainda tem a feira...
Hoje fui andar pelo brique. Além de comprar um brinco e mais umas bobagens (essa cidade vai me levar à falência), descobri um dos melhores sucos de laranja que eu já tomei. Fora os índios tocando ali do lado. Eu gosto.
Meus pais vieram, e era pra nós termos ido visitar um apartamento, mas meu pai só conseguiu marcar pra durante a semana - e lá vou eu de novo. Aí fomos pro Total - almoçar, falar do apartamento, ir ao cinema. E depois eles me deixaram aqui e foram embora. E, putaquepariu, isso é sempre tão triste. É ruim. É muito ruim. De verdade.
Pra fechar, quando eu subi, ouvi a guria do quarto aqui da frente tocando violão. Ela tava tocando e cantarolando Wish You Were Here. 
É uma injustiça desgraçada que um lugar que consiga me agradar tanto quanto Porto Alegre tenha que me deixar tão mal às vezes.

16 de out de 2009

sick

Pra uma amadora, meu arroz não é ruim. Tudo bem que é integral, e não tem como arroz integral ser ruim, mas cozinhar arroz comestível é sempre um progresso.
-
Quem é que gasta 54 reais em uma farmácia, em cinco minutos, atrasado pra aula?
-
Passar o final de semana aqui não me agrada nem um pouco.
-
"O pior é que o cara vai tocando a vida dele e tal, tudo bem, tudo certo - ou a vida vai se tocando sozinha, né -, mas sempre tem meio que um vazio por trás, alguma coisa ali... É ou não é?"

12 de out de 2009

Fragmentos de um Evangelho Apócrifo

[...]
9. Bem-aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
[...]
27. Não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.
[...]
51. Felizes os felizes.


Jorge Luis Borges

11 de out de 2009

!!

Na varanda de casa, na praia, com céu nublado, das três às sete, fazendo a outra metade da prova roubada do enem: um saco.

*

Mais duas palavrinhas novas para a minha vida: cioso e supino.

10 de out de 2009

!

Na varanda de casa, na praia, com céu azul, das duas e meia às seis e meia, fazendo metade da prova roubada do enem: surreal.

*

Duas palavrinhas novas para a minha vida: macarrônico e mapa-do-brasil.

9 de out de 2009

ob

O Marista nunca acertou um professor de história, desde o que eu me lembro. E assim continua, de acordo com as notícias do meu irmão. (Porque nisso até o meu irmão concorda comigo.) Eu saí de lá com um conhecimento pífio nessa área, boa parte por minha conta - pra não dizer que saí sem saber de nada além de Tigre e Eufrates, Eixo e Aliados.

E aí entra a segunda ironia da minha vida esse ano: é justamente história que eu consigo gabaritar nos simulados. Depois das línguas, junto com matemática, é no que eu mais tenho me garantido. (Ou quase.)

Era nisso que eu tava pensando, agora há pouco, quando me veio à cabeça, logicamente, um dos meus professores de história lá do Anglo.

Ele é um desses tipos que fazem a gente sentir uma vontade estranha de ter conhecido a pessoa a vida inteira, porque teria sido ótimo conhecer alguém assim desde sempre. O triste é que, quando uma pessoa dessas aparece, normalmente é passageiro; tu vai ficar só na vontade e na imaginação. Mas eu gosto de saber que pelo menos eu conheci. Porque o cara é fantástico.

8 de out de 2009

o mundo não caiu.

E eu fico aqui me perguntando como diabos umas musiquinhas despretensiosas são capazes de deixar alguém tão feliz.

*

Em português, o louco inventou de fazer ditados. É, tipo primeira série pós-alfabetização. E eu confesso que escrevi rescisão sem s - pra nunca mais esquecer. Mas adorei ver o espanto das pessoas quando descobriram que hortênsia também é com s. Ou quando ouviram idiossincrasia.

6 de out de 2009

under my umbrella ella ella...

Hoje de manhã eu atravessei toda a bendita Redenção - pelo lado ainda, porque por dentro, depois de ontem, não ia rolar - pra ver um apartamento na João Pessoa que eu nem quero. Em compensação, tem outros do lado de cá que eu quero - e eu espero que um deles seja meu até o fim do mês. Na volta, tomei vergonha e comprei um guarda-chuva de verdade. Só não é muito o que eu consideraria bonito... Tipo guarda-chuva de hotel, verde escuro com a borda verde clara. (Pra quem queria um vermelho, não se nota diferença.) Mas, vamos lá, que caia o mundo de novo.
-
Tava fazendo uma conta... Eu tenho exatos oito livros não lidos na minha prateleira (eu amo a minha prateleira) e exatos outros oito que eu quero comprar.
Isso não é nada bom.

5 de out de 2009

raining again

Quando terminou o penúltimo período, mais de metade da minha turma levantou pra ir embora, a fim de tentar escapar da chuva. Em vão; já chovia descomunalmente forte antes de a gente cruzar o portão. Meu guarda-chuva, que já não era lá essas coisas, não agüentou nem meia quadra. Um outro coitado ainda me pediu carona até um pedaço, mas logo ele viu que não ia adiantar lhufas, eu fechei o guarda-chuva e nós dois - e mais praticamente todo mundo na rua - resolvemos nos entregar ao banho de chuva. Porque, bom, não tinha guarda-chuva que adiantasse alguma coisa. Cheguei aqui inteiramente molhada - nem minha escova de cabelo dentro da bolsa escapou -, planejando ir direto tomar banho, mas não tinha luz. Claro. E não tem até agora, diga-se. Estamos todas na completa escuridão - porque até aquelas luzes que ficam carregando, pra serem usadas justamente quando falta, estão apagadas, vai saber por quê. E eu não tenho a menor fé de que essa situação esteja melhor amanhã - o que dizer de ainda hoje.
Foi o que eu disse: as coisas dão errado quando chove.
(Mas banho de chuva é bom.)

4 de out de 2009

Além de um escocês, eu também gosto do John Cusack e do Mark Ruffalo. They're charming.

2 de out de 2009

enquanto lá fora repercutia o cancelamento do enem...

(e, agora, as olimpíadas no Rio)

- O que, tu quer ser escritora?
- Não, nossa! Mas eu quero escrever sempre.
- É mesmo? Olha só... Escrever sobre o quê?
- Ah, sei lá... Sobre pessoas.
- Pode escrever sobre mim, então. Já pensou? Fantástico, né? [risos]

*

Eu sei é que o final de 2009 e o início de 2010 têm tudo pra ser um desastre. Um fracasso, dizendo melhor. E eu não sei pra onde eu vou correr depois: passei toda a viagem pensando nisso.
E não cheguei a grandes conclusões, claro - dormi. Futuro não é bem o meu forte.
Alguns dos meus colegas se impressionam quando eu recebo minhas redações corrigidas. A questão é que uma redação não é lá de muita utilidade se eu não fizer ninguém ler. Uma baita ironia, aliás: pra escrever qualquer coisa em qualquer lugar a última coisa que eu preciso saber, de fato, é escrever.
De repente eu vou lá trabalhar como revisora dos textos do Sant'Ana, mesmo.

Mas eu não abro mão de escrever. E não abro mão de, algum dia, ter um blog só pra isso: pra escrever sobre as pessoas. Porque a história de qualquer desconhecido na rua vale a pena. Eu normalmente não gosto muito das pessoas, é verdade, mas eu juro que tenho paixão por saber a história delas e depois contar.

E uma coisa é certa: apartamento eu vou ter.

27 de set de 2009

Se tem quem ache que as coisas vão dar errado quando um espelho quebra, eu acho que as coisas vão dar errado quando chove.

26 de set de 2009

♫ II

Pogues, Raveonettes, Shins... têm feito minhas manhãs ultimamente mais do que qualquer outra coisa. Bem eficaz pra esquecer os cinco minutinhos. O meu defeito é uma preguiça tremenda na hora de pensar em baixar mais músicas pra reforçar o repertório. São talentos que definitivamente eu não tenho. Conhecer bandas, ir atrás de músicas... Muita mão. Gosto mais quando o trabalho já vem praticamente pronto em um cd no portão.
Se bem que o primeiro foi por minha conta, mesmo. E muito antes do filme, o que é incrível.
-
Ontem, na rodoviária, pouco depois de eu chegar, alguém começou a tocar gaita de boca. Vinha de muito, muito perto, mas, ainda assim, eu não achei a pessoa. Seja quem for, ficou uns ótimos minutos tocando Hey Jude. E a música pode até ser meio clichê, mas como fica linda em gaita de boca.
Com as pessoas passando e jogando tocos de cigarro no chão, a menos de dois metros das lixeiras, foi ainda mais memorável.
-
Em meio à barulheira generalizada que é aquele prédio lá do lado, essa semana eu distingui de novo o que tinha me agradado muito nas minhas primeiras semanas lá mas que desde então eu nunca mais tinha ouvido. Perto do meio-dia, às vezes, tem alguém que começa a tocar violão. Fica até engraçado, se se for considerar as crianças gritando, as velhas falando, as panelas batendo e os outros sons característicos desse horário.
Eu não sei quem é a pessoa e não sei qual é a música, mas é impressionantemente agradável de se ouvir. Sempre a mesma música. As mesmas seqüências de acordes. Continuidade saudável.

24 de set de 2009

cold as minnesota

Quase uma cópia perfeita de Belle & Sebastian. (: do you really care about anyone but yourself, Evan? now everything's a mess you know
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Eu tava pensando se o que eu digo faz algum sentido. Provavelmente não. Porque eu sei que eu sou meio contraditória, às vezes. Mas isso só acontece porque tem coisas que eu quero que eu simplesmente não consigo fazer; elas não fazem parte da minha natureza, seja esta qual for.
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As coisas nunca mudam de verdade, mudam? Os lugares e os rostos mudam, e o tempo muda também. Mas nós não. Nós sempre somos os mesmos. O que a gente pensa, o que a gente quer, os dias e as noites.
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Eu tinha planejado continuar a história da mosca. Dessa vez, ele seria uma barata, eu acho. Ou qualquer outro dos insetos odiados, não importa. Mas acho que não é um ano muito propício pra se perder tempo. Ainda mais a essa altura e com uma ficção qualquer, quando a minha realidade anda dando conta desse lado bem até demais.
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E, bom, eu não devia, mas, sabe, é tão... O contrário de desolador. É isso. Ainda que sejam roubados. Ainda que pesem na consciência. São cinco minutos pra acreditar que a vida pode ter solução.

22 de set de 2009

na rua

Tem um mendigo que fica na esquina do Zaffari. Ou quando eu vou, pelo menos, ele tá sempre ali. Hoje, quando eu passei, ele tava dizendo: "Viu, ela pediu pão pra ele, e ele também não deu. Vão se foder todo mundo!"
Concordo plenamente, amigo.
Se eu comprasse pão, eu teria dado um pra ele.

19 de set de 2009

such great heights.

Eu não gosto de e eu não costumo culpar outras pessoas pelos desastres e pelos erros que eu sei que são meus, mas é difícil. E mais difícil ainda é não conseguir escrever a respeito. Eu já tentei inúmeras vezes, de várias formas diferentes, e nunca dá certo. Nunca sai nada do jeito como eu queria mostrar: do jeito que realmente é.
Eu não posso contar a história e terminar com um final legal. Eu não posso acusar ninguém. Eu só posso dizer que dói um monte. De um jeito que chega a dar raiva ser capaz de sentir.
Ele dizia que eu era de outro planeta.
Eu queria ser. Queria poder voltar pra lá agora e nunca mais ter que pisar aqui. Porque eu não gostei desse lugar, por mais encantador que ele possa ser às vezes.
Fiz minha inscrição na dita cuja. Não sei como, minha identidade apareceu errada, e eu não consegui mudar. Vou ter que ir até lá em qualquer lugar solicitar a mudança. Pessoalmente.
Eu não sei por que eu insisto nessa merda. Eu não sei por que eu insisto em jornalismo. Eu não sei por que eu insisto nessa vida, que nem de muito longe é o que eu quero. Porque o que eu quero, afinal de contas, é nada. Só. E isso sim, tão simples e tão distante.

contraste

A gente sonha, acorda mais cedo sem despertador, vê que tem sol, e a sensação é boa. Como otimismo. Mas logo a gente também vê que se enganou. Não é preciso de muito tempo. That's life.

*

Pra eu não poder mais dizer que nunca encontro ninguém conhecido no ônibus, ontem eu encontrei um ex-colega de anos atrás. Fazia tempo que eu não via ele. Digo, ano passado, em uma ou outra noite qualquer nos Quintas da vida, às vezes coincidia de ele ir também. Mas nunca tinha me passado pela cabeça a possibilidade de a gente voltar no mesmo ônibus.

Logo que ele entrou, eu ainda fiquei um tempo decidindo se era ou não, porque o tempo passa, as pessoas crescem, o rosto muda. Mas eu não faria jus ao meu passado se não fosse capaz de reconhecer esse louco.

Quando ele me viu também, sorriu, e nós nos cumprimentamos. A voz diferente do que eu lembrava, mas a mesma expressão. A mesma expressão e o mesmo cara. Simples, simpático. Galante.

A poltrona dele era na frente da minha. Ele virou pra trás, e nós ficamos conversando enquanto o ônibus não saía. A vida em Porto Alegre, os cursinhos, a faculdade, os antigos colegas que a gente não vê faz tempo.

Depois, durante a viagem, eu fiquei me lembrando dos tempos em que a gente era criança. Na 5ª série. Por um tempo, eu e ele voltamos pra casa na mesma kombi/van, a do Tio Siraldo. Às vezes, nós corríamos pros últimos bancos e colocávamos as mochilas no meio, pra que ninguém mais sentasse ali. E nós, as gurias, fomos todas, em algum momento das nossas infâncias, apaixonadas por ele. Eu tinha um olho bom pra meninos nessa época.

Chegamos em Gramado, ligamos pros nossos pais e conversamos mais qualquer coisa até Canela. Conversa comum, de pessoas que não se vêem já há algum tempo. Tem quem não goste, que diga que é superficial, que não significa nada. Eu não acho. Adoro reencontrar pessoas. E adoro ainda mais as conversas, sejam elas sem maiores interesses ou não.

Já em Canela, na rodoviária, a mãe dele fez sinal de luz com o carro. Nós nos despedimos, te cuida e cada um pra um carro. Cada um pra um lado.

Bom te ver também, rapaz.

16 de set de 2009

o dia-a-dia (não) é poético.

Meus pais têm um amigo, e ele é daquele tipo que é depois de conhecer que se descobre a pessoa incrível que tá ali. Ele é casado, e meus pais são padrinhos da filhinha dele, que é a coisa mais querida. Antigamente, quando ele aparecia lá em casa, a gente ficava papeando e tomando caipirinha.

Pois hoje esse cara tava em Porto Alegre e veio me visitar. A gente saiu, tomou um café, e ele foi comigo ver um apartamento, lá quase em Viamão. No caminho, o celular dele tocou. "Tu ouviu tua filha gritando aqui, né?" Era mentira, e ele sabia, claro. Mas, mesmo assim, a gente silenciou. E eu fiquei olhando as paisagens da Ipiranga, enquanto ele tamborilava os dedos na direção esperando o sinal abrir.

Depois de muito nos admirarmos com o apartamento, que tinha até churrasqueira, voltamos, e ele me deixou na porta, quando poderia perfeitamente ter facilitado a própria vida e me deixado na esquina.

É bem verdade que meus pais têm um monte de amigos que me fazem subir as escadas quando tocam a campainha, mas tem uns assim que compensam.

14 de set de 2009

desisto.



E o que mais, a essa altura?

11 de set de 2009

it's raining man

Faz tempo que eu não ganho minhas semanas com os ônibus. Aliás, têm vindo quase vazios. Esse último foi praticamente só meu, eu podia escolher em que lugar sentar. Além de botas encharcadas, chuva também tem disso. Só gente louca pra se bandear até a rodoviária na chuva pra ir pra um lugar onde chove ainda mais.
Mas é legal. Esperar o ônibus lendo no meio de toda aquela gente - nego chega e senta do meu lado e eu nem sei. E depois ficar ali, no escuro, no silêncio, vendo tudo passando, passando, e as gotas escorrendo pelo vidro molhado.
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"Eu não sei o que vocês vêem, mas eu vejo uma vontade de nada, de sumir, de se desintegrar de uma vez, virar pó."
-
Mas eu odeio chuva.

I shall be released

I shall release me

9 de set de 2009

volubilidade

Recuperei o guarda-chuva. Não tenho mais prova sábado de manhã. Não tenho mais que trocar passagem. E, ainda, algum(a) maluco(a) me deu um surpreendente e absurdo, porém muito bem-vindo, 24,5 na última redação. Dia feliz esse.
(Só faltou parar de chover.)
(Aliás, trocaram a banca de flores da esquina por uma banca de guarda-chuvas, hahah.)
(E eu ainda quero que a Joyce vá pro inferno.)

puta.

Esqueci o guarda-chuva e tá chovendo. Tenho que ir pra aula. Tenho prova sábado de manhã. Não posso trocar a passagem por telefone/tele-entrega: "Antigamente a gente fazia a troca por telefone, agora a gente não faz mais. Só pessoalmente."
Vai pro inferno, Joyce querida.

7 de set de 2009

guaranteed

Eu vi Into The Wild pela primeira vez no colégio, na aula de português, em uma tv pequena, com o reflexo das janelas e dividido em três períodos (foi um milagre terem aceitado não ver dublado). Não sei quais eram as reais pretensões da Marluce quando ela resolveu nos passar esse filme, mas, sejam quais forem, eu tenho certeza de que ninguém parou pra pensar nelas. Todo mundo sempre odeia os professores de português no colégio, ainda mais quando eles são bons.
E daí que eu resolvi comprar o cd agora, um ano depois. Só porque a voz do Eddie Vedder ainda figura entre as que eu gosto de ouvir. E pra eu ter uma desculpa pra mim mesma: olha, eu não estudo, não leio e não escrevo mais nada que preste porque eu tô ouvindo música. Não é preguiça, não. Nem falta de foco. Capaz.

(E não são as músicas do meu iPod, que, por mais eu mude, são sempre as mesmas. Eu nem sei por que eu comprei um iPod, afinal de contas. Ele tem sido especialmente útil esse ano, aham, mas eu sempre preferi cds. Mesmo não tendo nenhum que valha alguma coisa. E, além do mais, quando eu tô sozinha - o que acaba sendo quase todo o tempo - eu sequer gosto de caminhar ouvindo música. Detesto. Acaba com toda a essência da coisa.)

6 de set de 2009

gonna grow up

Eu uso óculos e relógio de pulso desde quase sempre - os tempos antes disso são outra coisa, são diferentes. Eu tenho olhos verdes falsos - eles bem que tentaram, mas não conseguiram. Eu tive uma infância feliz - tudo de ruim de que eu me lembro, bom, eu apaguei. Eu adorava andar de balanço. Eu tinha as melhores férias possíveis com o meu primo. Eu gostava de desenhar e de escrever - meus cadernos e blocos e as canetas e os lápis de cor eram indispensáveis, em qualquer lugar. Eu escrevia bilhetes pro meu pai dizendo que ele era o melhor pai do mundo. Foi ele que me fez colorada e que me fez o que eu sou, embora todo mundo sempre diga que eu sou 'minha mãe escrita'. Meus dois avôs morreram, mas eu ainda me lembro deles, especialmente do pai do meu pai - eu não esqueci do jeito que dizem que a gente esquece. Eu sempre fui boa aluna. Eu sempre gostei de ler. Eu sempre fui tímida. E eu acho que eu sempre quis o melhor - pra mim, sim, e pra todo mundo.
Mas eu cresci.
Em termos, é verdade, mas eu cresci.
E quando a gente cresce, ah, meu caro, esquece, porque já era.

27 de ago de 2009

(:

Pré-aventura na noite por aíprefironãocomentar:

- Eu tenho um mapa com os bairros de Porto Alegre em casa.
- Ah, que legal! E por que tu não falou disso enquanto a gente ainda tava lá?
- Ã... Porque a gente não chegou nesse assunto?
- Tá, mas tu tinha que ter suposto que ia me interessar!
- [não sei]

- Nossa, né, olha esses dois! Imagina se eles fossem irmãos!
- Ah, ia ser legal, ué. Aquele meu irmão é tão sem graça...


It's only Duda but I like it.

26 de ago de 2009

walking around

Sem falsa modéstia, agora eu poderia entrar naquela comunidade - "Eu vou a pé". Porque o que eu tenho andando por essa Porto Alegre é um troço descomunal. Mas é revigorante também, ainda mais de manhã cedo. E a conclusão a que eu cheguei é a de que todo mundo deveria ter direito a uma Redenção na esquina de casa.

23 de ago de 2009

sitting on the shelf

Me custou meia unha, dor nas costas e no pulso esquerdo - velhice, né - mas, cara, apesar do desastre, é sempre tão bom. Quer dizer, é única porcaria de coisa que eu aprendi - mal, muito mal, mas e daí - a fazer sozinha na vida. É claro que eu nunca vou tocar na frente de ninguém - e muito menos fazer aula. O caso é que, bom, são bons momentos solitários. (Nem mesmo a minha voz fica assim tão ruim, hah. Não tanto quanto o normal, ao menos.)
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Agora há pouco, numa troca casual de scraps, me perguntaram se 'já não tava esquecido'. Talvez estivesse, não fosse o histórico. Mas, como ele existe, bom, então não - não tão cedo. I just don't think I'll ever get over. E eu também não me orgulho disso.
E tá aí essa música, que é a mais linda e a mais triste que eu conheço, pra sempre me lembrar. Que não. E que eu sou uma otária. (:
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Eu queria ter escrito antes qualquer coisa sobre o último sábado antes das férias, quando eu saí com minhas amigas. Basicamente, foi o de sempre: beber, dançar, tirar fotos. E rir. É uma das poucas coisas que me deixam verdadeiramente feliz: rir com as minhas amigas. Pessoal ou virtualmente, bêbada ou sóbria, não importa. Só rir.
Mas é um troço um pouco redundante, né. Quer dizer, pra não ficar feliz rindo, só sendo meio psicopata. E eu me arrisco a dizer que nem assim.
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Por fim, eu tava olhando o arquivo das postagens aqui do lado e notei uma coisa. Quem me conhece, se quisesse saber, não precisaria ler essa merda pra descobrir quando tá tudo bem ou não. É só olhar ali do lado: em geral, os meses mais cheios sempre são os piores. Claro que isso não é uma regra, mas enfim. Janeiro e agosto pra me ajudar: no primeiro, vestibular (hahah), férias e praia e nada pra fazer ou com o que se preocupar, e, no segundo, bem, no segundo é isso, né.
Eu sempre escrevo mais. Sejam bobagens ou não. Pra esquecer, pra me distrair, pra me sentir melhor, sei lá. Ou pra tudo isso, mesmo, já que, no fim, os três acabam sendo a mesma coisa. Mas, just like Drummond, lutar com palavras é a luta mais vã. E não é?

20 de ago de 2009

I guess it’ll pass.
That’s hard to remember, but it always does.
Nothing stays the same.
I have to know that—I fucking have to.
It’ll pass.
And I can change.
It’s fucking hard, but I have to believe it’s possible.
I mean, it just has to be.

Whatever planet I came from, he came from, too.

19 de ago de 2009

just one near perfect thing

Corrijam-me, se eu estiver errada, mas, assim, normalmente, as pessoas abandonam o barco quando está para acontecer algum problema, quando a coisa tá em vias de sair da linha. Não o contrário. O dia em que eu descobrir o que leva alguém a fazer o contrário... Bem, aí eu conto.
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If She Wants Me. Vou ver se desencosto meu violão da parede esse final de semana. Cause there is no point in standing in the past cause it's over.
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No meu orkut, naquela clássica de "from my past relashionships...", eu botei um trecho de um livro. Que eu já nem tenho mais certeza de qual é, mas, em todo caso, tá lá. Mas a verdade é que eu também poderia ter escrito simplesmente The Shins. Entre um milhão de outros, sim, mas The Shins.

então VI

Na primeira semana do cursinho, naquele calor desgraçado de março, eu tive impressões erradas sobre um monte de gente que, depois, acabou me mostrando que é praticamente o contrário do que eu pensava.

Mas eu também tive impressões certas, claro.

De todos os meus colegas, de início, primeiros dias mesmo, eu fui com a cara de um. "Olha, gostei desse louco." Foi o que eu pensei quando ele entrou na sala usando uma calça jeans relativamente larga, tênis preto, camiseta do Matanza, cabelo preto meio bagunçado e barba por fazer. Mal ele abriu a boca, e eu descobri que era carioca. Depois, que era botafoguense. Depois, que desenhava super bem. Só faltavam os óculos e uns três anos a mais. Mas as semelhanças pararam por aí. Digo, eu nunca falei com ele direito, mas observando se descobre tanto ou até mais do que conhecendo. Dependendo do caso, dependendo dos ângulos.

Ele tá sempre batendo o pé, mexendo as pernas ou estralando os dedos e o pescoço. Ou desenhando. Ou bocejando. Conhece São Francisco! (de Paula, caso não tenha ficado claro.) Tem cara de menino e jeito de menino, mas uma cabeça de homem. (Ou alguma coisa perto disso.) É inteligente. Chega quase sempre com fones no ouvido. Usa umas camisetas muito legais. Tem um sorriso lindo. E é, certamente, uma das pessoas mais simpáticas daquela turma. Doce, mesmo. Gentil.

É claro que isso não diz nada em termos de quem realmente é esse guri. Eu não sei quem ele é. Não faço idéia. Mas basta, quando eu só quero ver (com os meus próprios olhos, hah) que, sim, tem quem preste por aí.
Ou eu que me encanto fácil demais.

18 de ago de 2009

no rain.

Eu resolvi que hoje não ia chover e não levei guarda-chuva. Logo, é lógico que, quando eu saí, tava chovendo. Chuviscando. Mesmo assim, o capuz da minha jaqueta não é grande coisa quando se trata de proteger a cabeça de qualquer coisa molhada que caia do céu. Foi mais ou menos por aí que eu vi que a volta pra casa não ia ser das mais felizes. Fiquei surpresa, mais tarde, quando foi minha colega - e não eu - quem pisou em uma poça no meio do caminho.

Mas enfim.

Na esquina da Panvel, antes da Panvel, tem uma espécie de banca de flores, e, quando a gente passou por ali, tinha um homem olhando. Ele usava uma jaqueta cinza, uma calça jeans azul, das mais normais, e um tênis marrom. Tinha cabelos pretos, muito levemente mesclados com cinza, e mais ou menos compridos; iam até o pescoço, por aí. E, acima da testa, já se acentuavam as duas entradas. Não era novo; eu dei uns 40. E também não era rico.

Eu acho uma merda isso de as pessoas olharem para as outras e acharem que sabem a situação financeira delas, mas dava pra ver que o cara não era nenhum milionário. Até porque, bom, ele tava na chuva - sem guarda-chuva - olhando as flores mais simples do mundo em uma banca no meio da rua. É claro que isso ainda não exclui a possibilidade de eu estar completamente enganada, mas enfim. Nós passamos tri rápido, e eu olhei justamente pra esse homem. E ele tava ali, com toda a calma do mundo, escolhendo um buquê de flores na chuva.

Essa cidade é cheia disso. E eu acho simplesmente incrível.

17 de ago de 2009

inveja

Um monte de guriazinhas novas por aqui, coitadas. Eu, que achava que as criaturas vinham pra se internar, já sou quase a mais antiga desse corredor. Até minha vizinha já se mandou. Muita inveja dessas aí. Muita. Vou soltar uns fogos no dia que eu sair daqui, sério. Hahah.
O problema, bem na real, não é "aqui". Porque eu tenho que admitir que é muito, muito melhor do que eu imaginava em fevereiro. O caso é que eu quero um apartamento. Eu sei que parece - e é - muito pra se querer, mas, se já me garantiram que eu posso, não é assim um pecado querer logo. Né?
Mas, vamos lá, entre as vantagens de se viver em um pensionato:
- Nunca mais pensar em gastar dinheiro com um hotel ou similares;
- Aprender, na marra, a lavar roupa (sem máquina de lavar, lógico);
-
-
...
Entre as desvantagens:
- A possibilidade de pegar a gripe suína;
- Não ter cozinha nem banheiro individuais;
- Não ter posse integral da chave do próprio quarto;
- Horário pra chegar, coisa que nem em casa eu tinha;
- Velhas um tanto ranzinzas e porteiros sinistros te olhando desconfiados toda vez que te vêem;
- Secadores e despertadores todos os dias às 6 da manhã.
Fora o pessoal do prédio do lado: gritaria, trilha da novela das 6, "conversa de tia velha", como definiria meu professor de matemática, missa na tv, obras e assim nós vamos.
É uma festa!
-
Eu pretendia matar aula hoje e pôr em dia tudo o que eu tenho de atrasado, mas, pensando melhor... Né.

16 de ago de 2009

então V

Gastei duas horas da minha tarde de hoje vendo Miami Ink. É a única dessas séries a que eu consigo assistir. E sempre me dá uma vontade desgraçada de fazer uma tatuagem, ainda que doa. A grande coincidência é que o desconto da minha carteira do anglo é justamente em uma loja de tatuagens. Eu só não sei o que eu faria. Quer dizer, não tem nada de muito original que eu possa fazer.
Não, pensando bem, eu até sei o que eu faria. O caso é que de saber a fazer sobra um abismo enorme. Mas, bom, é sempre uma possibilidade, não é mesmo? Dizem que faz bem, em tempos conturbados.

15 de ago de 2009

estrelinha

Eu achei que não me lembrasse mais disso, mas, quando meu pai comentou a respeito mês passado, eu me dei conta de que lembrava, sim.

Dia daqueles, quando eu era pequena, uns cinco ou seis anos, imagino, indo pra praia de carro no começo da noite, meu pai apontou a primeira estrela que tinha aparecido no céu.

"Olha lá, Priscila, a estrelinha! Lá sozinha em todo o céu. Coitadinha da estrelinha!"

Eu procurei pela janela de trás e vi. Era a única, mesmo. E, no auge da minha inocência - ou sabedoria - infantil, eu fiquei imaginando a tristeza de ficar sozinha em um lugar daquele tamanho e comecei a chorar pela estrelinha. Eu me coloquei no lugar dela e fiquei pensando em como eu teria medo.

"Calma, calma, não precisa chorar. As outras já vão aparecer pra ficar com ela, tu vai só ver."

E elas apareceram, mesmo. Foi só quando eu me acalmei.

Naquela época, eu achava que era a pior coisa que poderia acontecer a qualquer pessoa. E, hoje, eu tô mais parecida com aquela estrela do que com qualquer outra coisa. Eu não tenho mais medo nem acho que seja a pior coisa que poderia acontecer. Quase pelo contrário. Mas tem um sentimento que fica. Tem algumas coisas da infância das quais eu acho que a gente nunca se livra.

parêntese. II

Estava eu em uma livraria esses dias, de novo, quando descobri que agora existe a versão em português de Tweak. Com o título Cristal na Veia, uma capa maior e umas cinqüenta páginas a menos. E, na contracapa, uma frase dele que, claro, ficava muito melhor em inglês. Não deu tempo de ler o resto, mas esse traz uma foto do Nic, coisa que o outro não tem. Não que eu já não tivesse visto, mas eu gosto de parar a leitura, às vezes, ir até o fim do livro e olhar pra cara de quem eu leio. É um vício.

piada.

08:17. A minha vida parou em algum lugar entre a oitava série e o primeiro ano e até hoje eu não consegui voltar lá pra retomar. É exatamente assim que eu me sinto. Porque ela foi indo, foi indo e foi indo, mas ficou lá. Eu fiquei lá. Junto com um monte de fantasmas que eu conheci e que eu insisto em manter rondando. É uma luta inútil. Eu me prendo demais a qualquer mão que estendam. Mas acontece de, na maioria das vezes, essas mãos não terem sido estendidas pra mim. Eu faço o quê, então? Me atiro no Ganges? No Guaíba, quem sabe?
Vida bandida.
Falando em vida bandida, quero ler Vida Vadia, do Richard Price.

essa vida

Tem pessoas que não fazem nada e contagiam as outras. Pessoas de quem as outras sentem falta. De quem as outras lembram quando vem à cabeça a palavra companhia. Sem fazer nada. Só de andar ou olhar para o lado ou escorar a cabeça na janela do ônibus ou dizer oi ou qualquer coisa. Eu não sei por quê.
Quando eu digo que eu não nasci pra essa vida, não acreditam. Mas eu digo mais, mesmo assim. Eu só não saio dela de uma vez por todas por dois motivos. Um é óbvio: covardia absoluta. Mas também porque, ainda que eu resmungue e tudo o mais, eu sei que essa vida é muito mais do que isso. Muito mais.
-
Fiz uma amizade instantânea de duas horas hoje no ônibus. Cássia, o nome dela. Muito querida. E eu que duvidava da possibilidade de vir conversando de lá até aqui.
"Não invejo essa tua fase, haha", diz ela.
Adorei.
Mas eu também não, sabe.

12 de ago de 2009

vou pra canela, tchau.

Eu sabia que uma semana a mais de férias ia dar merda. Tive o auge da minha crise aqui de domingo pra segunda, mas passou. Ajuda esse troço estar praticamente vazio. É até engraçado, caminhar por aí e não cruzar com uma viva alma, nem na cozinha.

Os horários mudaram, e quarta-feira vai se tornar o dia mais feliz da minha semana, com história, português e literatura. Não que eu goste de literatura, pelo contrário, mas, enquanto durarem as aulas de Fernando Pessoa, eu vou me deliciar.

Fora isso, eu desenvolvi uma relação de amor e ódio com essa vida em Porto Alegre, que vou te contar. O caso é que, além de não ser a minha praia, nem lugar pra morar eu tenho. E morar, pra mim, sorry, não é se hospedar. Mesmo se a hospedagem durar vinte anos, ainda assim não vai ser morar.
(Mas eu gosto, eu gosto.)

7 de ago de 2009

40graus

Ontem à noite eu imaginei um post mentalmente antes de dormir. Eu faço muito isso quando sem sono. Às vezes, eu escrevo. Em outras, não. Era uma história de quando eu era criança mas que se adequa perfeitamente aos dias atuais. Mas eu não vou postar - sequer vou escrever. Quem sabe outro dia.
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Fiz as unhas em casa hoje. Eu mesma fiz, no caso. 40 graus. O único vermelho que eu consigo engolir gostando. (Se bem que eu sou levemente daltônica, então vai ver nem é o que eu vejo.)
Eu previa um desastre - até porque, quando não convém, eu sofro do mal de parkinson -, mas mesmo assim resolvi tentar. Não ficou nenhuma uma maravilha, mas também não ficou muito longe de quando eu faço fora, então a partir de agora é by myself. Me poupa um monte. E se dizem que prática é tudo...
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Comprei um anel, também. Impressionante como eu tô sempre gastando dinheiro, mesmo sem gastar.
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Vovó anda enlouquecida de preocupação com os netos das capitais por causa da gripe suína - eu em Porto Alegre e meu primo em São Paulo, expostos aos males do mundo.
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E amanhã, com sorte, we can go out dancing.

6 de ago de 2009

tu tiempo es ahora una mariposa

Quando eu não feliz, seja pelo motivo que for, normalmente eu escrevo e não posto, deixo salvo aqui. Porque é muito egoísta eu ficar me lamentando, quando eu não tenho nada - absolutamente nada - de verdade do que reclamar nessa minha vida. Acontece que, quando tá tudo bem, como agora, às vezes eu me sinto igualmente egoísta. Porque, aí, eu me esqueço de olhar ao redor. Conclusão: eu provavelmente sou egoísta em tempo integral. E não me orgulho nem um pouco disso. O meu consolo é que o segundo me parece um egoísmo um pouco mais nobre, se é que isso existe.
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No meio disso, eu vi o filme do Che Guevara e me encantei com o cara que canta a música dos créditos, o tal Silvio Rodriguez. Baixei sete músicas dele e não me decepcionei.

5 de ago de 2009

colheres

Hoje eu encontrei uma colher, daquelas de cafezinho, dentro do armário do banheiro, no meio de cremes e sabonetes, e outra no fogão - no fogo, já toda preta, eu vi quando fui botar lenha.
Não sei o que acontece com as pessoas dessa casa.
Quando meu irmão decide dar coisas pro cachorro morder - o antigo game boy dele e um controle remoto, entre outros -, eu até compreendo, porque se trata do meu irmão. Mas colher no fogo... Disso eu ainda não tinha visto, mesmo por aqui.

4 de ago de 2009

terça-feira

Dia de:


O amor no país do carnaval, daí.

3 de ago de 2009

$$

Comprei e ganhei roupas hoje.
E, na falta de coisa melhor pra escrever, seguem abaixo os mais novos componentes dos meus armários:
  • Um colete preto;
  • Uma blusa de manga comprida roxa, lisa e de gola;
  • Uma blusa de manga comprida preta, com corte nos ombros e gola, sendo que na frente ela é mais ou menos sobreposta, e a parte que fica por trás (ui) - do peito até a gola (que, aliás, é de amarrar no pescoço, portanto a blusa também é aberta nas costas) - é de estampa de onça. Ui;
  • Um casaco de lã (?) azul (a cor não é essa, mas não tem outra melhor aqui) que vai até pouco acima dos joelhos, aproximadamente;
  • E um moletom listrado, rosa, lilás e cinza (por mais horrível que pareça, não é, juro), grande, comprido, especialmente pra essas tardes caseiras e invernais.
Não se enganem, fazia muito tempo que eu não encontrava roupa decente e barata, pra comprar assim, em quantidade.
Por fim, eu não sou grande coisa em descrever peças de roupa e também tenho quaisquer dúvidas em relação ao meu bom-gosto, mas as coisas normalmente não são o que parecem, mesmo - muito menos quando escritas (e por mim, ainda por cima) -, então eu não me preocupo.

2 de ago de 2009

um lugar do caralho

Eu não tava muito afim de voltar pra Porto Alegre, passei a semana inteira sofrendo por antecedência. Aí, então, eu descubro que tenho mais uma e, antes mesmo de ela começar, já tô reclamando. Um poço de insatisfação. Transbordando.
-
Depois de sonhar que tava grávida, que tinha sofrido um acidente de carro e que tinha voltado pro colégio pra ter mais aulas de biologia com a Liane, que tava falando sobre lombras, hahah - não dá pra levar meus sonhos a sério -, eu gastei a tarde lendo na frente da lareira. E o que mais? Nesses domingos nublados do inverno eu não conheço cidade que fique mais melancólica que Canela. É uma frustração no ar que não dá pra explicar. Muito longe do lugar do caralho que cantavam no Positive. Ou são os meus olhos. Mas eles gostam de dias assim, que eu sei.

30 de jul de 2009

(fim de) férias.

Que bons ventos essas férias trouxeram!
Antes, provavelmente, quando qualquer colega perguntasse, eu responderia: "Terríveis! E o dia que tu tiver umas 5 horas disponíveis e quiser ouvir história eu te explico por quê." Mas, mais uma vez, eu tenho que bater na minha boca.
Tá frio demais nessa terra, é verdade - de -2°C de manhã cedo e -5°C de madrugada -, e a incapacidade do meu nariz de se manter aquecido me irrita, principalmente durante a noite, mas o frio renova.
E às vezes até eu me esqueço disso.

Eu fiquei me devendo um corte de cabelo, a atualização do iPod, a leitura - ou pelo menos o começo dela - de um monte de livros e mais uma boa quantidade de coisas, mas pra que servem as férias se não justamente pra isso - pra deixar pra depois?
(Ou pra nunca mais, como eu sempre digo.)

*Ora vejam, uma semana a mais pra pôr isso aí tudo em dia. Quem diria.

18 de jul de 2009

parêntese.

Eu não sei por onde eu começo.
Se pelo(a) [não é ódio e não é nojo. Se alguém souber a palavra, por favor] que eu tenho de algumas coisas que ele escreve e do tipo que ele faz ou se pela certa admiração que eu tenho pela sinceridade, ainda que a última seja bem vaga.
Tem dias que eu entro lá e adoro o que leio; em outros, dá vontade de nunca mais voltar.
Melhor nem começar.
-
Eu estou momentânea e indefinidamente (é, ao mesmo tempo) abalada e sob influência de forças externas, e internas também, sobre as quais eu há muito já desisti de tentar ter controle. Então, e como pouca gente se dá a esse trabalho, eu decidi me respeitar (de verdade). E, claro, aceitar que eu não tenho - não tinha antes e nem terei algum dia - como mudar o que quer que seja, ainda que se trate da minha própria vida.
Pronto.
Que venham as aventuras das férias.

"Até agosto!"

Inventei de ver Harry Potter hoje. Nem me lembrava mais da história direito, é verdade, mas quem cresceu junto com o cara não vai deixar de vê-lo no cinema, não é mesmo?
-
E, agora, duas semaninhas pra sentir o gosto de morar em Canela outra vez.
Seja o que Deus quiser.

11 de jul de 2009

frio.

Eu podia falar do filme de ontem, ou da caminhada até a rodoviária hoje de manhã, ou do amazonense que perguntou se eu era casada, ou do frio que eu senti quando desci do ônibus em Gramado, ou... Sei lá, de qualquer coisa. Mas eu não vou falar de nada.

there's a parade on the hall outside
come on and feel the air outside

5 de jul de 2009

some dance to remember, some dance to forget

Sexta, a princípio, foi a noite da minha turma e eu não fui - embora agora eu lembre que iria ter problemas com onde dormir? se tivesse ficado e ido.

E antes disso, umas semanas atrás, eu cheguei a escrever um post sobre como eu queria dançar. Só dançar.

Então, pra não dizer que não saí e que não faço o que eu quero, eu fui no, caham caham, Xerife Country Bar. Ver os Travellers. Com minha mãe e umas amigas dela.

Podem até dizer, quem sabe, que é personalidade. Mas, no presente caso, sinto muito, não é. É, sim, o cúmulo da velhice, da falta de companhia (vou pregar Folhetim na porta do meu apartamento, quando eu tiver um) ou do que quiserem chamar.

Mas, independentemente das razões pelas quais eu saí, o objetivo, ver os Travellers, ah, esse sim, alcançado com louvor.

Vi o show lá da frente, dançando com umas gurias que eu nunca tinha visto e com um velho baixinho, careca e de rabo no que sobrava de cabelo - grisalho -, tudo isso na mesma pessoa.

E foi muito, muito bom - sem o menor exagero. Eles tocaram boa parte das músicas de que eu mais gosto e mais algumas. E, modéstia à parte, ali naquele meio onde eu tava, eu era a única que sabia todas. Ou a única que se prestou a cantar todas. Com direito a ficar sem voz e tudo - até agora. Só faltou mesmo Sweet Home Alabama, que a gente pediu, mas não rolou. Mas reclamar disso, ou de qualquer outra coisa, seria muito injusto, levando em conta o quanto foi bom.

Eu cheguei até a cantar uma parte de Sweet Child no microfone com o baixinho.

Sweet Child. No microfone. Eu.

Depois dessa, meus caros, eu acredito em qualquer coisa. Até em passar na ufrgs.

4 de jul de 2009

e as pessoas

Eu precisei me livrar de todo mundo pra conseguir fazer isso assim, sem culpa, sem medo.
E eu me pergunto se não é um preço muito alto, ainda que sincera e totalmente involuntário.

as coisas

Essa do táxi me fez lembrar do Ed, de Eu Sou O Mensageiro.
Acho que parte da simpatia que eu tenho em relação aos taxistas em geral se deve exclusivamente a esse livrinho, embora eu nunca tenha cruzado com um Ed ou um [não lembro o nome dele, mas era o que eu mais gostava no livro] da vida.
É engraçado como as coisas acontecem.
Essas pessoas vêm e vão todas as semanas, e normalmente não deixam nem os nomes, mas eu sempre me lembro. Essas coisas vêm e vão todas as semanas (vão, principalmente), mas eu sempre me lembro.
E eu gosto disso. Gosto mesmo. Mas às vezes eu fico imaginando se não seria bom que alguma delas ficasse, de vez em quando.

as histórias

"Pra rodoviária."
"Mas bah! Eu tava louco pra ir pra lá, tomar um café e tal... É que eu sou da rodoviária, não sei se tu sabe."
Saber, eu não sabia. Mas sabia que ele não era dali. Não que eu conheça os taxistas da Ramiro, mas são sempre velhos, e não era esse o caso.
Pedir pra ir pra rodoviária quase sempre implica, mais cedo ou mais tarde: "Mas tu é daqui, mesmo?"
Não, eu me mudei esse ano. Minha família é de Canela, aí eu volto nos fins de semana.
"Ah, tá certo. Aí que começam as histórias, ?"
Adorei essa.
Ele foi conversando quase o caminho todo, falando que eu devia estar acostumada a pegar "motoristas mal humorados, brigando com o trânsito, e não idiotas assim".
Gostei dessa também.
Mas o engraçado mesmo foi quando, quase na rodoviária, meio de repente, a rua silenciou e deu pra ouvir nós dois batendo os dedos ao mesmo tempo, conforme a música.
"Oh, gostou do cd?"
Gostei!
Era The Doors. E a música, Light My Fire.
E, por mais que pareça, não é mentira.

2 de jul de 2009

Pensionato:

these walls are paper thin and everyone hears every little sound

1 de jul de 2009

eu acredito!

Na boca dos colorados. Hah.
-
Tem umas pessoas que me inspiram, sabe. De verdade. Colegas, um ou outro que eu vejo na rua, um ou outro que eu encontro quando resolvo passear no orkut em vez de passear na rua.
Pena que a inspiração não vai muito longe.
-
decepcionada.
E completamente indiferente.
Até eu resolver soltar.
Quando isso acontecer, não falem comigo. Porque eu não vou falar com ninguém e vou me esconder, e chorar e morrer de raiva, se for o caso, até passar. É só assim que eu sei resolver. É só assim que funciona comigo.
Mas não pensemos nisso por enquanto, ainda tem tempo.
De qualquer jeito, depois: it could've been worse than you would ever know.
Só pra eu não esquecer.
-
Já prestaram atenção na letra de 3x4? Pois eu prestei. Seja pra quem for, é a declaração mais bonita que eu já vi.
Ora, parece que as coisas mudaram por aqui.

27 de jun de 2009

próprias mentiras

Locadora (de cidade) pequena é foda.
-
Hoje à tarde, passei na feira do livro de Gramado. Fajuta, , mas rendeu mais dois livros - e menos quarenta reais na carteira.
Aliás, ontem eu comentei com meu pai que a maior parte do dinheiro que ele me dá eu simplesmente não gasto, e ele disse que "bah, mas então eu vou fazer uns empréstimos contigo".
Quando papai quer fazer empréstimos com você, e não o contrário, tem muita coisa errada. Eu devia sair por aí gastando tudo, eu acho.
-
Esqueci de comentar que tivemos festa junina no pensionato. Eu não ia a uma festa junina desde... Bom, há bastante tempo. Tá certo que não era uma festa de verdade - os dois principais componentes de uma festa, seja da espécie que for, não habitam aquele lugar -, mas tinha quentão e... Bom, era uma festa junina. Mas foi engraçado. Valeu a saída do quarto.
-
Às vezes eu chego a acreditar nas minhas próprias mentiras. Ou a fazer de conta que elas são verdade. É triste.

26 de jun de 2009

pais e filhos

Eu ainda não tenho muita noção do trânsito porto-alegrense; cheguei na rodoviária meia hora antes do horário do ônibus. Fiquei lá, escorada em uma parede perto do meu box, tomando refrigerante e olhando o povo. Não sei se as pessoas percebem ou não, mas, bom, eu não faço questão nem de uma coisa nem de outra.
Passada a meia hora, eu já tava sentada quando o cara da poltrona do lado apareceu. Era um louco careca, mas de boné, tatuado, com alargador de orelha e... Uma filha. É engraçado, porque acho que ninguém imagina eles com filhos. Mas, bom, o cara, além de tudo, era tri simpático. E a guriazinha, que tinha quatro anos, era uma graça; mesmo com uma foto em um folheto, não acreditava que em Canela tinha um trem apoiado em um prédio. "Pára de rir de mim! Ela pode rir, tu não."
Depois, eu acabei passando pra uma poltrona vaga do outro lado, pra ela não precisar sentar no colo, e aí fiquei olhando os dois enquanto ouvia música. O cara, com o braço todo tatuado, acariciando os cabelos daquela coisinha daquele tamanho deitada no colo dele. Coisa mais linda. E ainda aquela risada contagiante que só as crianças conseguem dar.
Eu ganho minhas semanas nesses ônibus.

E uns por aí com medo da rodoviária.

25 de jun de 2009

abre os teus braços, meu irmão

Terminei, finalmente, o livro que eu tinha começado a ler lá em final de março/começo de abril, quando me mudei pra cá. Por Mais Um Dia, do Micth Albom. Acho que esses livros dele são meio assim, ou o cara adora ou não vê a menor graça, mas enfim. Esse não era grande coisa, não tinha nada de muito especial nem nada, mas, claro, eu terminei chorando. É gostar de sofrer. (Inclusive, apesar de ainda ter quatro livros não lidos na minha prateleira, vou tratar de providenciar logo PS Eu Te Amo.)
O próximo da minha lista é Histórias Fantásticas, de um argentino cujo nome eu não lembro. E recomendado pelo seu Daniel Galera, olha só que coisa.
-
Agora, quando eu escrevi Daniel Galera, não sei por que me lembrei de quando eu recebi um e-mail do Antonio Prata. Eu mantinha a assinatura da Capricho só por causa dele. Depois que ele parou de escrever lá, eu acabei parando de ler até o blog (dele, não da Capricho), que eu nem sei se ainda existe. Mas, voltando, eu posso imaginar minha cara quando abri o hotmail e vi "Antonio Prata" no remetente. Eu não lembro de o que, exatamente, eu escrevi pra ele, mas eis a pérola:

Priscila, obrigado. Continue escrevendo. Pelo seu e-mail, dá para ver claramente que você leva muito jeito pra coisa. Te mando aí uma música do Vinícius que tem a ver com o que você estava falando e, coincidentemente, estava aberta aqui no meu computador.
beijos

A música era Como Dizia O Poeta.
Tem coisas que, de algum jeito, marcam a nossa vida, nem que seja bem de leve. Esse e-mail foi uma delas pra mim.

24 de jun de 2009

vós

Eu tava com tanta vontade de escrever qualquer coisa que até deixei pra depois/amanhã/nunca mais as coisas que eu tinha que fazer. Aí, claro, essa droga demorou meia hora (sério) pra conectar, quando conectou tava horrível, o msn não entrou e por aí vai. Eu me estressei, e tudo o que eu queria escrever já não tem mais o mínimo de relevância.
Mentira.
Mas sabe como é.
Eu acho que ia comentar como algumas mulheres velhas por aí tem cara de vó. Tem velhos e velhas que tem cara de velhos e velhas e é só isso. Mas tem uns com aquelas caras que só vô e vó conseguem ter. Sorriso, expressão macia, olhar carinhoso.
Uma das irmãs daqui é bem assim. Eu não consigo olhar pra ela sem ver uma vó. Daquelas que te esperam pro almoço no sábado com uma mesa enorme arrumada especialmente pra isso. É tão gostoso.

20 de jun de 2009

da bahia

Baianos no ônibus hoje. Baianos, cara! Eu adoro baianos. Só com essa eu já teria ganhado meu dia.
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Quando um ex-colega meu entrou em uma comunidade de Porto Alegre no orkut, eu fui tirar com a cara dele. Mas a verdade é que a capital até que me conquistou também - e eu nem cumpri minha promessa de virar à direita. Aquilo lá é tão lindo nos sábados de manhã. Eu fico impressionada. Mesmo.
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Por fim, segundo um dos meus professores de história, eu sou "Priscila, a subversiva". Hahah. Ainda bem que eu não passei na ufrgs.

18 de jun de 2009

haha!

Parece que as pessoas gostam de cantar na rua por aqui. E dessa vez não foi nem uma mulher, veja só. Mas eu vinha discutindo com duas colegas uma aula perdida de geografia e não consegui ver qual era a música. Tristeza.
-
Mas a da semana mesmo foi outra. Estava eu ontem deitada, prestes a desligar a TV depois de ver o Inter perder, quando veio a chamada do Jornal da Globo. Minha possível futura profissão, a partir de agora, teoricamente não exige mais diploma.
Quanta ironia, hein.

11 de jun de 2009

"Durante a semana é sempre uma beleza.

Por que tu não fica lá?"
Meu irmão é um amor, não é, não?
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Uma vez eu escrevi que tinha descoberto a música que eu escolheria pra minha vida, se tivesse que escolher uma só. A verdade, eentretanto, é que eu escrevi certa de que, mais dia menos dia, eu mudaria de idéia. Pois, pasmem, eu ainda não mudei. E não é nem On Fire, por mais que ela também fosse se encaixar.
Não, claro, que isso tenha alguma relevância nesse feriado frio e roubado (eu deveria ter ficado pra aula de amanhã).
-
No começo do ano, eu imaginava duas coisas. E aconteceu o contrário. O que não é ruim, é só... Curioso. Imaginar uma coisa e acontecer justamente o oposto. Isn't it ironic? Don't you think?
Eu não sei mesmo o que acontece. 
Mas não é de todo mentira que blogs e vaidade andam meio juntos, por mais que eu resmungue. Então, ora, eu vou me afundar no sofá e ver mais algum filme. E vou fazer isso até a hora que me tirarem de lá pra ir pra praia.
(:

10 de jun de 2009

caring is creepy.

Foi parte da trilha das minhas compras agora há pouco.
Fazer compras já é uma coisa engraçada. Todo mundo lá, andando em ziguezague pelos corredores, procurando coisas e nem sempre encontrando ou se indignando com os preços. Fora a hora de pagar; as caras que os caixas fazem são impagáveis.
Fazer compras ouvindo música, então, é mais engraçado ainda. Provavelmente mais pra quem assiste, se é que eu me fiz entender, mas ainda assim é bom. Dá até pra rir sozinho.
-
Eu queria ir no show do Emerson Nogueira sexta, mas desistiram. Pra ir pra praia.
O dia que eu tiver apartamento vai ser um dia tão feliz que eu não vou ter nem como descrever.

7 de jun de 2009

crazyness

Vejamos quanto tempo essa dura.

6 de jun de 2009

102

Sexta, depois do filme lá no Anglo, eu acabei voltando sozinha. Pelo jeito sou eu que tenho medo de menos, mas, ah, nada como caminhar de noite. Nada como caminhar no inverno, na verdade, a qualquer hora. É frio, e às vezes chove e incomoda e isso e aquilo, mas eu me sinto bem. E as pessoas ficam naturalmente mais elegantes.
Enfim.
O caso é que, mais ou menos na metade do caminho, na parte da rua de que eu mais gosto, eu cruzei com um casal de velhinhos - daqueles de cabelos brancos, mesmo, e não cinzas - passeando com o cachorro e de mãos dadas. E eles sorriram e tudo. 
Essas cenas assim fazem a vida valer tão a pena. (:

home

Desde sexta, então.
No intervalo da aula, fui com uma colega em uma loja do lado do curso. A gente já tinha visto antes e ficado curiosa - tem uma placa em cima praticamente dizendo que a loja é tudo. E é, mesmo. Tem um café, um salão de beleza e vende de (quase) tudo. A impressão que dá é de que deve ser uma zona, principalmente porque o lugar é mínimo - dá pra confundir com uma banca de revistas qualquer, de longe - mas é muito legal. Legal, mesmo. Descreve melhor que qualquer outra palavra em que eu não vou me dar ao trabalho de pensar.
Depois, foi o filme. O Nome da Rosa, dessa vez. 
Mas a verdade é que, por mais que encurte os finais de semana, eu gosto de ficar lá pra ver. É sempre tão... Confortante. E, de qualquer jeito, eu nunca tenho muito o que fazer aqui, além de frio e mais filme.
-
Hoje, então, acordei de madrugada pra fazer quinze minutos de uma prova e sequer poder ficar com o caderno. Meu boletim de desempenho é que vai ser um espetáculo, com dez questões feitas de 80, hahah.
Saí, fui a pé até a rodoviária e vim pra cá provavelmente incomodando alguém, já que eu deixei a cortina aberta e tinha sol. 
O cara do meu lado, turista, todo perdido, não sabia qual das cidades vinha primeiro e quase quis descer no pedágio. Além dele, de memorável, uma banda. Me deu vontade de roubar as mantas de todos eles. Os caras tinham mantas mais legais que as minhas.
-
Quando cheguei, finalmente, descobri uma surpresa mais do que agradável que a Sky resolveu me fazer: passou Hora de Voltar de novo. Quer dizer, eu tive que ver. E, depois de acostumar, o Zach Braff fica (quase) bonitinho.

5 de jun de 2009

violão

Reler blog é sempre bom. Fiz isso com esse aqui agora, e, veja só, minhas previsões se confirmaram: eu não trouxe o violão pra cá e, claro, já era. É bem verdade que eu encostei nele final de semana passado e descobri que ainda sei tocar Last Kiss. Mas já era. E eu não me importo. Eu fiz o que eu quis fazer e passou. É bom quando as coisas acabam assim. Foi com um violão, mas poderia ser igual com as pessoas. A vida seria mais leve. Não seria?

então IV

É muito estranho descobrir um professor que pensa do mesmo jeito que eu. E quando eu digo "do mesmo jeito" eu quero dizer exatamente isso: o cara usou até as mesmas expressões que eu usaria para falar tudo o que eu penso.
De repente eu não sou tão errada assim.
-
Tem uma propaganda na TV, que eu não lembro sobre o que é nem se ainda passa, mas que faz várias perguntas e tal. Uma delas: "Será que você vai sair amanhã e virar à esquerda e não à direita?" Então: palavra que semana que vem eu viro à direita.
-
Retiro o que eu já disse de ruim sobre esse ano. Tudo. Independentemente de como ele vá terminar.

4 de jun de 2009

Mas pra alguma coisa tem servido: bergamotas. Eu sou muito mais feliz com elas.

3 de jun de 2009

a vida me contrariando:

Minha vizinha de quarto foi assaltada, e os colegas - os colegas - viram e não fizeram nada.
Fiquei com 23,5 em uma redação horrível.
E, veja só, eu estou passando (muito) frio em Porto Alegre.

30 de mai de 2009

põe um sorriso na minha cara

Vi I'm Not There hoje. Do Bob Dylan. Nem sabia que existia. E "do Bob Dylan" é ótimo; sobre. Melhor que o do Johnny Cash.
     Love and sex are two things that really hang people up. And why that is, I never trully understand.
     I'm not who I am most of the time. It's like you got yesterday, today and tomorrow, all in the same room. There's no telling what can happen.
-
A do ônibus da vez foi um grupo de gurias enlouquecidas com um final de semana em Gramado. Até lembrei da gente e dos nossos finais de semana históricos, pastelões e tal. A diferença é que elas fazem faculdade, hah. Mas, , felicidade não tem idade. As criaturas vieram tagarelando de Porto Alegre até aqui: quentão, festa da vizinha, churrasco do pessoal da produção, novela - are baba, atchá, tik tik e todas as outras - e "Uma hora e meia pra Gramado, bus!", "Quarenta e cinco minutos, bus!", "Dez minutos, bus!", "Chegamos, bus!"
O bus era só silêncio quando elas desceram em Gramado.
-
Ontem, no caminho do pensionato até o táxi, uma mulher passou por mim cantando. E ela vinha toda feliz: "tudo de bom que você me fizer faz minha rima ficar mais rara". Eu até olhei pra trás depois. Não consegui ver se ela tava com fones ou se tava só cantando, mesmo, mas acho que isso não faz diferença. Quer dizer, a pessoa tava cantando na rua sozinha e feliz da vida. Tem como não gostar?
com a música na cabeça até agora, mesmo depois do filme.

24 de mai de 2009

My opinion could change today, 
But I'm responsible anyway
For second or third hand information
That complicates the complication
And I don't think before I speak
And I don't know how far my words reach
So wrong nearly every time, that I'm sorry I speak my mind
If what I said was unkind
Now it feels like I'm on fire
It's burning the world through
But don't hold it against me, cause I know you're lying, too
Is there any need for apology? 
There's no reason to believe me
Judgments born in my jealous mind, creeping inside outside
Connections I've made never follow through
And sooner or later disappoint you
Or cross you twice when your back is turned, that's how I've learned
That someone has got to be burned
Now it feels like I'm on fire,
These words are not the truth
But don't hold it against me, cause I know you're lying, too
It feels like I'm on fire, 
It's burning the world through
Don't let me fall without someone to hold on to
Someone to hold to, someone to hold on to

nem 5 minutos guardados

Vi O Casamento de Rachel hoje. E depois tomei café. E agora sem sono que óotimo!

Nem Cinco Minutos Guardados, Titãs. Ou seja lá qual for o nome certo dessa música. Sei que tava tocando agora e que eu tava com saudade dela.

com vontade de fazer um monte de coisas, mas não sei o quê.

Andei visitando os perfis dos remanescentes na comunidade da minha turma. Que saudade que me deu desse povo agora também. De Porto Seguro e daquela última noite. Da formatura. Até das aulas. A gente deixa demais muita coisa se perder.

23 de mai de 2009

dessa droga desse mundo

Pode alguém não ser feliz com sol lá na rua?
Eu tô
virando fã de Porto Alegre em dias de sol. Quase mais bonito que aqui. Hoje tava demais.
-
Passar uma semana sem internet alivia a vida. 
Foi em uma dessas noites, debruçada sobre um dos livros de exercícios do Anglo, com o computador desligado do meu lado e um espelho virado na minha frente, que eu pensei no que eu nunca tinha pensado antes. 
Mentira, eu pensei no que eu já tinha pensado várias vezes antes, mas sem chegar a conclusão nenhuma.
Eu lembrei do Holden, d'O Apanhador, que disse que, se pudesse, passaria o resto da vida em um campo de centeio, e, pela primeira vez, eu soube o que faria com o resto da minha.
Se eu pudesse, eu passaria o resto da vida viajando, com papel, caneta e uma câmera, escrevendo sobre as pessoas que eu visse na rua. E faria um blog de verdade pra isso, claro. Não escreveria livros ou colunas ou notícias ou seja lá o que for. Eu só contaria as histórias que eu visse por aí. Porque tem coisa melhor? Não tem.
E eu preciso de faculdade pra isso? Não, eu só precisaria de dinheiro, de um curso de fotografia e de uma câmera. E eu seria a pessoa mais satisfeita dessa droga desse mundo.
Depois vêm dizer que "dinheiro não resolve tudo". Tá bom.

17 de mai de 2009

a volta

Fui deitar ontem sem sono e reli minha agenda da oitava série. Oitava série é demais! É o começo da vida, quando as coisas começam a acontecer e dá pra sentir o gosto do que vai vir pela frente.
Mas como eu era boba! Como nós éramos bobas. Até hoje eu não sei como tanta coisa foi possível com gente tão boba. Não que eu não seja mais, porque ainda sou, mas três anos acrescentam alguma coisa, nem que seja eu mesma me dizendo que eu continuo uma boba e que não tenho mais idade pra isso.
Mas eu preferia a bobeira daquele tempo. Porque pelo menos lá atrás, bem no fundo, eu tinha, firme e forte, a sensação - não, a certeza, mesmo - de que as coisas iam dar certo depois, mais tarde, mesmo que fosse demorar um pouco. E era verdade, veja só. Elas deram. Claro que dependendo do ponto de vista, mas deram. Meus dois últimos anos no colégio foram ótimos. Meu primeiro ano fora do colégio tá ótimo também. E esse é o ponto. Já deu certo. *Tudo que tinha que dar certo, ora, deu certo. Agora só tem o que dar errado. Agora é a volta.
Eu sou o otimismo em pessoa.
Mas já dizíamos nós mesmas na oitava série: até seria trágico, se não fosse (tão) cômico. Alguma coisa a gente sabia.

*Tá, quase tudo. Mas mesmo o que deu errado parece bom.